Bitcoin recua para US$ 78,8 mil, enquanto BNB e DeFi resistem à queda

Bitcoin recua para US$ 78,8 mil, enquanto BNB e DeFi resistem à queda

O Bitcoin recuou para a região de US$ 78,8 mil nesta terça-feira, enquanto parte do mercado de criptomoedas encontrou espaço para subir. O BTC caiu 0,42% desde a meia-noite no horário UTC e acumulava baixa de 0,75% em 24 horas, segundo dados da CoinDesk.

A cotação também ficou 4,1% abaixo da máxima de US$ 82.320 registrada na semana passada. Com isso, o Bitcoin completa duas semanas sem conseguir fechar acima de US$ 80 mil, embora ainda preserve boa parte da alta acumulada durante o rali de agosto.

Entre os principais ativos, o desempenho foi misto. O Ether estava em US$ 2.490, enquanto Solana (SOL) recuava 0,06%, para US$ 103,77. XRP era negociado a US$ 1,39 e Tron permanecia praticamente estável, em torno de US$ 0,33.

Zcash foi o destaque negativo entre os grandes tokens, com queda próxima de 5% e cotação ao redor de US$ 1.125. Mesmo assim, a criptomoeda ainda acumulava valorização de 33% em sete dias, a maior alta semanal entre os grandes ativos citados.

O HYPE, token da Hyperliquid, caiu mais de 3%, para aproximadamente US$ 84, devolvendo todo o ganho acumulado na semana. Na outra ponta, Dogecoin e BNB apresentaram quedas inferiores a 1%, mantendo algumas das maiores altas em sete dias fora da Zcash: quase 9% para DOGE e mais de 7% para BNB.

Bitcoin recua, mas BNB e tokens de DeFi fogem do movimento

A divergência também apareceu nos índices de mercado. Entre os 100 tokens que compõem o CoinDesk 100, 42 estavam no vermelho. BNB e ativos relacionados à BNB Chain ficaram entre as exceções, enquanto tokens como CAKE e SYRUP também avançaram.

O CoinDesk 5 recuava 0,47% na terça-feira, mas o CoinDesk 20 subia 0,2%. O índice de memecoins tinha desempenho ainda melhor, com alta de 0,41%.

A movimentação sugere uma rotação entre diferentes setores do mercado, com parte do capital deixando os principais ativos e encontrando espaço em tokens ligados a DeFi, BNB Chain e memecoins.

No mercado de derivativos, porém, a leitura era menos otimista. A relação entre compradores e vendedores que executam ordens a mercado, conhecida como taker buy-sell ratio, permanecia baixista em meio à pressão de fatores macroeconômicos, incluindo petróleo mais caro, especulações sobre juros do Federal Reserve e rendimentos elevados dos títulos.

O open interest, ou contratos em aberto, permanecia praticamente estável em US$ 141 bilhões. Ao mesmo tempo, o volume de negociação em 24 horas subia 5%, para US$ 149,85 bilhões.

Essa combinação aponta para mais giro de posições do que aumento de exposição alavancada, indicando que os traders estavam movimentando capital entre ativos sem elevar significativamente a quantidade de risco assumido via derivativos.

Entre os maiores destaques estava a AERO, da Aerodrome Finance. O token subiu 17% em 24 horas, liderando os ganhos entre os 100 maiores ativos por valor de mercado.

A alta veio acompanhada de um aumento expressivo no open interest de futuros, que atingiu o recorde de 129 milhões de tokens. Segundo os dados citados, a combinação sugere a formação de posições compradas apoiando o movimento do preço à vista.

Outro sinal favorável apareceu no CVD ajustado pelo open interest de 24 horas da AERO, que estava positivo. O indicador mostra maior agressividade dos compradores ao executar ordens diretamente no mercado, em vez de utilizar ordens limite passivas.

O INJ, da Injective, apresentava uma configuração semelhante. O token subia 10%, enquanto seus dados de futuros reforçavam o movimento de alta no mercado à vista. A valorização também levou o INJ acima de US$ 6, região que vinha funcionando como zona de oferta desde meados de junho.

Derivativos do Bitcoin mostram aumento seletivo de posições

Apesar da queda do preço, o open interest geral do Bitcoin permanecia abaixo da marca de 700 mil BTC, sinalizando interesse ainda reduzido em operações alavancadas.

Nos principais contratos futuros denominados em USDT e dólar, porém, o open interest aumentou de 257 mil para 265 mil BTC. O avanço ocorreu ao mesmo tempo em que o preço do Bitcoin caiu de US$ 80 mil para cerca de US$ 78,7 mil.

Esse comportamento pode indicar que alguns traders estavam abrindo posições vendidas, apostando em uma continuidade da queda.

O movimento vendedor também predominava em boa parte dos grandes tokens, segundo os dados de CVD. AVAX, XLM e DOGE eram exceções, apresentando CVD positivo.

Enquanto isso, os índices de volatilidade do Bitcoin e do Ether permaneciam próximos das mínimas recentes. Isso indica que, naquele momento, ainda não havia uma corrida significativa por opções para proteção ou aumento de exposição à volatilidade.

No mercado de opções da Deribit, entretanto, havia uma sinalização diferente. As calls com vencimento semanal dominavam o ranking de volume de 24 horas tanto para BTC quanto para ETH.

O dado mostra que, apesar da pressão vendedora observada nos fluxos de takers, parte dos operadores ainda mantinha uma expectativa de alta no curtíssimo prazo.

Assim, o Bitcoin seguia pressionado abaixo de US$ 80 mil, enquanto BNB, tokens de DeFi e memecoins apresentavam maior resistência à fraqueza do mercado. A divergência entre o mercado à vista e os derivativos reforçava um cenário de rotação de capital, com diferentes grupos de tokens reagindo de maneira distinta à mesma pressão macroeconômica.