Os detentores de criptomoedas agora têm um caminho mais acessível para entrar no ETF de Bitcoin da BlackRock sem precisar vender seus ativos no mercado aberto. O valor mínimo para a troca direta de moedas por cotas do fundo caiu drasticamente de US$ 25 milhões para US$ 1 milhão.
A mudança foi anunciada por Robbie Mitchnick, chefe de ativos digitais da gestora, durante o programa ETF IQ da Bloomberg em 10 de agosto. Segundo o executivo, o objetivo é diminuir ainda mais esse limite no futuro.
Essa operação acontece por meio de participantes autorizados, que são grandes empresas de negociação responsáveis por criar e resgatar cotas do ETF de Bitcoin da BlackRock (conhecido pelo ticker IBIT). Nesse modelo, o investidor entrega as criptomoedas e recebe as ações do fundo em troca, sem que ocorra uma venda real. O caminho inverso também é permitido.
Vantagem fiscal no ETF de Bitcoin da BlackRock
O analista de ETFs da Bloomberg, Eric Balchunas, destacou que, até então, essa opção era exclusiva para os maiores detentores institucionais. A Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) autorizou as trocas em espécie para fundos de criptomoedas apenas em julho de 2025.
A redução ocorre em um momento de forte movimentação financeira. Os fundos à vista nos EUA atraíram mais de US$ 850 milhões na semana passada, o melhor resultado desde abril, segundo dados da SoSoValue. No total, esses produtos administram cerca de US$ 78 bilhões.
Parte dessa demanda institucional recente é impulsionada por questões de segurança. Uma análise da TRM Labs apontou que hackers roubaram aproximadamente US$ 116 milhões em criptomoedas de mais de 5.200 carteiras físicas da marca Coldcard. O episódio gerou incertezas sobre a autocustódia. Apesar de os fundos terem registrado saídas de US$ 145 milhões no dia 10 de agosto, o apetite geral dos clientes continua alto.
O principal benefício dessa troca direta está na tributação. O IBIT funciona estruturalmente como um truste concedente (grantor trust). Na prática, o fisco dos Estados Unidos entende que os acionistas continuam sendo os proprietários das moedas dentro do fundo. Fundos tradicionais de ações e títulos não conseguem replicar isso, pois operam sob outro modelo.
Vender a criptomoeda por dinheiro tradicional gera cobrança de imposto sobre ganhos de capital. No entanto, a conversão em espécie para o ETF de Bitcoin da BlackRock não exige o pagamento imediato.
Clinton Donnelly, especialista em tributação de criptomoedas, explicou em uma publicação que a contribuição em espécie para o IBIT é considerada não tributável atualmente, mantendo a base de custo original do investidor.
Balchunas concordou com a interpretação, reforçando que a conta do imposto é apenas adiada, e não apagada. A ressalva é que o órgão fiscal americano (IRS) ainda não emitiu uma regra formal e definitiva sobre o tema.
O ativo era negociado perto de US$ 63.602 nesta terça-feira, registrando uma queda diária de 1,2%. O mercado agora observa se essa queda nas barreiras de entrada levará mais investidores a transferirem seus fundos de armazenamento a frio para dentro da gestora.




