O Bitcoin voltou a flertar com a casa dos US$ 82.000 nesta sexta-feira, recuperando parte da queda que o levou abaixo dos US$ 80.000 na véspera. A alta veio junto com um rali nas bolsas asiáticas — especialmente em papéis de tecnologia, e uma onda rápida de compras que levou o BTC de US$ 79.800 para perto de US$ 82.500 em cerca de duas horas.

Nos números do dia, o Bitcoin é cotado a US$ 82.019, com alta de 0,9% em 24 horas. O Ethereum avançou 3,2% para US$ 2.454; XRP subiu 1,5%, Solana 2,9% e BNB 1,1%. A Zcash foi o destaque, saltando cerca de 11% para a região dos US$ 1.230.

A recuperação chama atenção porque a faixa dos US$ 80.400 havia funcionado como suporte em duas ocasiões na semana anterior. Perder esse nível poderia ter aberto espaço para quedas maiores; a reação rápida, porém, mostra que há compradores dispostos a entrar perto dos US$ 80K.

Apesar do movimento de preços, os fluxos institucionais continuam mistos. Os ETFs à vista de Bitcoin registraram entradas líquidas de cerca de US$ 5 milhões na quinta-feira, um alívio tímido depois de saídas de US$ 261 milhões na quarta.

Os fundos de Ethereum tiveram retiradas de aproximadamente US$ 60 milhões, produtos ligados à Solana perderam quase US$ 10 milhões — completando nove dias seguidos de saídas, e o ETF de Zcash registrou resgates de cerca de US$ 15 milhões na quinta.

Esses números deixam claro o contraste entre a dinâmica de preço, impulsionada por compradores de curto prazo, e a hesitação dos investidores institucionais. Para que a alta seja mais convincente, o mercado vai querer ver entradas consistentes nos ETFs.

O campo técnico do Bitcoin e a sombra do Fed

Tecnicamente, a região dos US$ 84.000 segue como a principal resistência a ser vencida. Um fechamento sustentado acima desse patamar sugeriria maior força dos compradores; por outro lado, a perda definitiva dos US$ 80.000 aumentaria o risco de uma correção mais intensa.

No plano macro, a atenção está voltada para a política monetária dos Estados Unidos.

A inflação de setembro veio acima do esperado e comentários de autoridades do Fed — incluindo a fala de Kevin Warsh em eventos do FMI e do Banco Mundial em Bangkok, podem influenciar a percepção sobre novos aumentos de juros. Juros mais altos tendem a tornar ativos de renda fixa mais atraentes e pressionam ativos de risco como o Bitcoin.

Por ora, a recuperação rápida mostra que há demanda para comprar quedas, mas a falta de um fluxo institucional robusto e a incerteza sobre juros limitam o otimismo.

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Luíza Nunes
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