O Bitcoin chega aos últimos dias de setembro negociado entre US$ 83 mil e US$ 85 mil, após uma forte recuperação que levou a criptomoeda de cerca de US$ 76 mil para perto de US$ 87 mil.

O movimento reforça as expectativas de um outubro positivo, conhecido no mercado como “Uptober”. Nos últimos 13 anos observados, dez meses de outubro terminaram no verde. Ainda assim, os três resultados negativos mostram que a sazonalidade não garante uma nova alta.

Setembro de 2026 também deve terminar positivo, enquanto o Bitcoin acumula uma valorização de cerca de 40% desde a mínima de agosto. Ao mesmo tempo, os ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos atraíram bilhões de dólares nas últimas semanas.

Mesmo com essa recuperação, o ativo ainda está cerca de 33% abaixo do recorde registrado em outubro de 2025, quando passou de US$ 126 mil antes de encerrar aquele mês com queda de aproximadamente 4%.

Bitcoin entra em outubro com sinais positivos e pontos de atenção

Outro indicador acompanha essa mudança de cenário. O analista Axel Adler Jr. destacou uma evolução no MVRV ajustado, métrica que compara a valorização do Bitcoin com o custo médio de aquisição dos ativos registrados na blockchain.

A relação entre as médias de 30 e 365 dias do indicador passou acima da própria média anual em 20 de agosto. Em 20 de setembro, o indicador também superou o nível de 1.

Segundo Adler, esse movimento representa uma passagem de uma fase inicial de alta para um regime mais claramente altista.

Desde 2012, essa configuração apareceu apenas seis vezes. Em quatro dos cinco sinais anteriores considerados comparáveis, o Bitcoin valia mais no fim do ciclo de alta do que no momento do cruzamento.

A exceção ocorreu em agosto de 2015. Naquele episódio, a fase de alta durou apenas 16 dias antes de o mercado voltar a um regime menos favorável. O número reduzido de ocorrências, porém, limita o peso desse indicador como sinal de tendência.

Os fluxos para ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos também sustentam a demanda. Os fundos receberam US$ 433 milhões em 18 de setembro, depois de US$ 159,5 milhões no dia anterior. Em agosto, os ingressos já haviam somado US$ 3,52 bilhões.

Ao longo de três semanas, as entradas se aproximaram de US$ 3,8 bilhões. O movimento acompanhou a retomada do Bitcoin acima de US$ 86 mil e a volta do ativo ao maior nível em oito meses.

Outro dado observado no mercado é a redução da quantidade de bitcoins disponível nas corretoras. A retirada de moedas pode diminuir a oferta imediatamente disponível para venda, mas não significa necessariamente acumulação, já que algumas transferências podem estar ligadas a mudanças de custódia ou movimentações institucionais.

Ainda assim, o cenário continua dependente das condições macroeconômicas. Uma nova alta nos rendimentos dos títulos, uma política monetária mais restritiva ou uma desaceleração nos fluxos para ETFs podem enfraquecer a tese de uma alta sazonal em outubro.

O principal ponto de cautela está na realização de lucros. Em 26 de setembro, a margem de lucro não realizado do mercado chegou a 33%, o maior nível desde dezembro de 2024.

No mesmo dia, cerca de 25.700 BTC foram gastos com lucro, o maior volume registrado em 2026. Aos preços atuais, essas moedas correspondem a mais de US$ 2,1 bilhões.

“This combination generally signals a weakening of the bullish move”, avaliou Julio Moreno, diretor de pesquisa da CryptoQuant.

O nível de US$ 87 mil aparece agora como a primeira resistência visível. Uma superação dessa faixa reforçaria o cenário de continuidade da alta em outubro. Já uma queda abaixo da região de US$ 83 mil poderia levar o Bitcoin novamente para US$ 80 mil.

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Luíza Nunes
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Luíza Nunes