O roubo de criptomoedas com uso de força física gerou perdas de US$ 30 milhões a investidores no primeiro semestre de 2026. Segundo um novo relatório da Chainalysis, o ano atual segue em ritmo acelerado e deve superar o recorde histórico de US$ 58 milhões registrado em 2025.
A França se consolidou como o principal centro mundial desses casos, registrando 30 incidentes conhecidos apenas na primeira metade do ano. O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, revelou que as autoridades já documentaram 77 casos no total e anunciou a criação de um sistema de alerta rápido para proteger o setor.
Investigadores apontam que a alta na França está diretamente ligada a vazamentos de dados. Em 2024, um funcionário da receita teria roubado e vendido informações de grandes investidores. O cenário piorou em janeiro de 2026, após a divulgação pública desse caso e de um novo vazamento da empresa de impostos Waltio, expondo 50 mil usuários.
Eric Jardine, chefe de pesquisa da Chainalysis, explicou que bancos de dados com informações sensíveis continuam sendo o foco principal. “Sempre que um repositório central coleta inteligência valiosa e explorável, atores ilícitos tentarão uma violação. Isso é especialmente verdadeiro para informações sensíveis, como registros fiscais”, afirmou.
Como a tática no roubo de criptomoedas está mudando
Além do território francês, países como Estados Unidos, Brasil e Tailândia apresentam os maiores números de casos de roubo de criptomoedas acumulados desde 2023. Na Tailândia, a legislação amigável atrai turistas e expatriados, o que acaba aumentando a base de possíveis vítimas de abordagens físicas.
Apesar da alta nos registros de roubo de criptomoedas, a taxa de sucesso dos criminosos caiu consideravelmente. Apenas 26% das tentativas funcionaram até o final de junho de 2026, contra 49% no ano anterior. No entanto, o acesso constante a dados vazados mantém a quantidade de ataques em crescimento.
O formato das abordagens também sofreu alterações. As invasões domiciliares subiram para 37% dos casos em 2026, enquanto os sequestros seguem como a categoria mais comum, representando 52%. Os criminosos estão usando parentes como forma de pressão, com familiares se tornando alvos em até 30% das ocorrências globais.
A principal recomendação de segurança para os investidores foca na discrição operacional. Exibir riqueza em redes sociais, relatar ganhos em conferências ou associar o próprio nome a grandes movimentações públicas na blockchain transforma os usuários em alvos diretos para criminosos.


