A Hyperliquid conseguiu manter uma receita próxima à de um ano atrás mesmo com o mercado de criptomoedas em queda. Parte desse resultado vem de uma fonte que não depende de investidores negociando: os juros sobre aproximadamente US$ 6 bilhões em depósitos de clientes da Coinbase, dos quais a exchange recebe 90%.

Segundo um relatório publicado pela Grayscale em 30 de outubro, o acordo garante à plataforma uma entrada recorrente de dinheiro, mesmo quando a atividade de negociação diminui. Em setembro, a Hyperliquid gerou cerca de US$ 105 milhões, praticamente o mesmo resultado registrado no mesmo mês do ano anterior.

O mecanismo funciona porque os depósitos em USDC, stablecoin atrelada ao dólar, são investidos em títulos do Tesouro americano. Os rendimentos dessa aplicação são então distribuídos entre as empresas envolvidas no acordo.

A parceria começou em maio, quando a Coinbase assumiu o papel de parceira de tesouraria do USDC na plataforma. Em troca do repasse dos juros, a stablecoin passou a ocupar o lugar de principal moeda de negociação da Hyperliquid, substituindo a USDH, uma concorrente criada justamente para manter essa receita dentro do ecossistema.

A Coinbase fica com os 10% restantes dos juros e mantém os próprios depósitos. Em julho, Mizuho e JPMorgan já haviam adotado uma postura mais pessimista em relação à Circle, emissora do USDC, enquanto o JPMorgan também reduziu suas estimativas para a Coinbase, citando a pressão sobre a economia da stablecoin.

Hyperliquid amplia receita com contratos de terceiros

A participação das taxas geradas pelas negociações próprias na receita da plataforma também mudou. Em meados de 2025, elas representavam mais de 90% do total. Em setembro, essa proporção caiu para 64%, segundo a Grayscale.

Uma parte crescente do faturamento vem de empresas externas que oferecem contratos futuros de ativos como prata, petróleo e ações de companhias antes de abrirem capital. Essas empresas podem ficar com até metade das taxas de negociação.

A Grayscale estimou que esse modelo de receita terceirizada movimentou US$ 38 milhões no mês anterior ao relatório. Em sua análise, a gestora afirmou: “Hyperliquid’s outsourced revenue model hit $38M last month and attracted major institutional partners”.

Para onde vai o dinheiro gerado pela Hyperliquid

O faturamento também tem ligação direta com o token HYPE. De acordo com um relatório anterior da Grayscale, 99% das taxas da plataforma são direcionadas a um fundo que compra e queima tokens, mecanismo semelhante a um programa de recompra de ações. Os pagamentos de juros da Coinbase também alimentam esse fundo.

A movimentação em torno da plataforma ganhou força nos Estados Unidos. Nesta semana, a controladora da Bolsa de Valores de Nova York e a empresa controladora da Kraken avançaram em iniciativas para levar a Hyperliquid aos investidores americanos.

Uma eventual entrada de mais depósitos poderia aumentar os rendimentos destinados à plataforma. O relatório da Grayscale, porém, não estima quanto a Coinbase ganha com o acordo nem apresenta uma avaliação financeira completa do benefício para cada empresa.

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Luíza Nunes
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