Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH) e Hyperliquid (HYPE) aparecem entre as principais criptomoedas indicadas por casas especializadas para novembro. As escolhas refletem a busca por oportunidades depois de um outubro negativo para o mercado cripto, marcado pela pressão dos juros americanos e pelo ataque hacker à Binance.

Ao todo, 13 criptoativos foram citados nas listas das instituições consultadas. Além dos três favoritos, aparecem Solana (SOL), USD Coin (USDC), Chainlink (LINK), Ondo Finance (ONDO), Zcash (ZEC), Aave (AAVE), XRP, Near Protocol (NEAR), Uniswap (UNI) e Monero (XMR).

A preferência por Bitcoin, Ethereum e HYPE ocorre após um mês que contrariou o histórico de valorização associado ao chamado Uptober. Em outubro, o Bitcoin caiu 8,5%, enquanto o Ethereum recuou 16%.

A política monetária dos Estados Unidos continua entre os principais fatores acompanhados pelos investidores. O Federal Reserve (Fed), banco central americano, manteve os juros na faixa de 3,75% a 4% ao ano em outubro e só voltará a decidir sobre a taxa em dezembro.

Até lá, os dados de emprego e inflação e os desdobramentos das eleições legislativas do país devem influenciar as expectativas do mercado.

O ataque hacker à Binance, ocorrido no fim de outubro, também entrou na avaliação dos especialistas. Para Julián Colombo, diretor sênior de Políticas Públicas e Estratégia para a América do Sul na Bitso, ainda é cedo para medir os efeitos do episódio.

“É um fator novo, que merece atenção nas próximas semanas, porém como o episódio é muito recente, ainda é cedo para dizer se ele vai marcar um novo ponto de inflexão neste ciclo.”

Bitcoin e Ethereum concentram apostas em criptomoedas para novembro

Mesmo depois da queda em outubro, o Bitcoin permanece como a principal escolha das casas consultadas. Um dos motivos é seu desempenho relativamente mais resistente em comparação com outros ativos durante períodos de instabilidade.

Pedro Fontes, analista do Mercado Bitcoin (MB), destaca que os investidores tendem a concentrar recursos nas criptomoedas mais conhecidas e negociadas quando o mercado enfrenta turbulências.

Esse movimento também aparece nos fundos negociados em bolsa: depois de duas semanas de saídas, os ETFs de Bitcoin dos Estados Unidos voltaram a registrar entradas, com cerca de US$ 300 milhões na semana encerrada em 23 de outubro.

“Em momentos de estresse, o capital tende a se concentrar no Bitcoin antes de voltar para as altcoins (todas as demais criptos)”, afirma Fontes.

O Ethereum também segue entre os favoritos, apesar da desvalorização de 16% no mês passado. A tese dos especialistas está ligada à expansão de aplicações financeiras construídas sobre a rede, como stablecoins, tokenização de ativos e serviços de finanças descentralizadas.

Outro ponto citado pelo MB é o volume de ETH em staking. Mais de 43 milhões de unidades estão comprometidas com o mecanismo de validação da rede, o equivalente a 36% da oferta em circulação. Essa parcela não fica imediatamente disponível para negociação, embora a redução da oferta negociável, por si só, não garanta uma valorização.

A evolução da infraestrutura também permanece no radar. A atualização Glamsterdam, planejada para ampliar a capacidade de processamento do Ethereum, teve uma etapa de testes adiada em outubro devido à investigação de questões de segurança. Até o momento descrito pelas casas consultadas, não havia uma nova data confirmada para a retomada.

Hyperliquid volta ao grupo das principais apostas

A Hyperliquid recuperou um lugar entre as três criptomoedas mais indicadas para novembro, depois de ficar fora do pódio no mês anterior. A plataforma descentralizada é especializada em contratos futuros perpétuos, instrumentos que permitem negociar com exposição à alta ou à queda de preços sem uma data fixa de vencimento.

O interesse em torno do HYPE está relacionado à aproximação da plataforma com o mercado financeiro tradicional. A Intercontinental Exchange (ICE), controladora da Bolsa de Nova York (Nyse), anunciou uma parceria com a Trade[XYZ] para desenvolver mercados de derivativos sobre a infraestrutura da Hyperliquid.

A iniciativa ainda depende de aprovações regulatórias para avançar no mercado americano.

A atividade da plataforma também pode ter impacto sobre a dinâmica do token. Parte das receitas obtidas com as negociações é destinada a recompras de HYPE no mercado. Segundo o MB, essas operações somaram US$ 64 milhões nos 30 dias anteriores ao levantamento.

A expansão para mercados de ações, índices, ouro e petróleo pode ampliar as fontes de receita da Hyperliquid. Ao mesmo tempo, a concorrência e as exigências regulatórias para a oferta de novos produtos continuam entre os pontos de atenção.

O modelo descentralizado da plataforma ganhou destaque adicional depois do ataque à Binance. Na avaliação de Vinícius Bazan, CEO da Underblock, a possibilidade de negociar sem deixar os ativos sob a custódia de uma empresa centralizada é um diferencial.

“E o hack da Binance joga a favor: a Hyperliquid é uma plataforma descentralizada, onde o usuário não deixa o dinheiro sob custódia de uma empresa”, afirma.

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Luíza Nunes
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Luíza Nunes