
Os ETFs de criptomoedas à vista dos Estados Unidos registraram mais de US$ 500 milhões em saídas líquidas na quinta-feira, em meio à queda generalizada dos mercados. O movimento ocorreu depois que os ativos devolveram os ganhos iniciais observados após os resultados das eleições de meio de mandato no país.
Entre os fundos de Bitcoin, o FBTC, da Fidelity, liderou os resgates, com US$ 199,9 milhões em saídas. Na sequência apareceram o IBIT, da BlackRock, com US$ 105 milhões, e o GBTC, da Grayscale, com US$ 49,9 milhões, segundo dados compilados pelo The Block.
Os ETFs EZBC, da Franklin Templeton, HODL, da VanEck, e ARKB, da Ark Invest, também registraram saídas líquidas. Os demais fundos de bitcoin terminaram a sessão sem movimentações.
Os produtos ligados ao Ethereum também tiveram resgates consideráveis. ETHA e ETHB, ambos da BlackRock, lideraram as saídas, enquanto os fundos FETH, da Fidelity, e ETHE, da Grayscale, também registraram retiradas.
Entre outros ativos, os ETFs de Solana tiveram US$ 1,2 milhão em saídas líquidas, enquanto os fundos de Zcash e Hyperliquid registraram resgates de US$ 11 milhões e US$ 3 milhões, respectivamente, de acordo com dados da SoSoValue. Os ETFs de XRP foram a exceção, sem entradas ou saídas líquidas no dia.
Considerando os principais produtos cripto negociados nos Estados Unidos, o saldo negativo já ultrapassava US$ 1,1 bilhão na semana.
ETFs de criptomoedas acompanham queda de bitcoin e ações de tecnologia
A pressão sobre os fundos veio acompanhada de uma sessão negativa nos mercados tradicionais. O bitcoin caiu 5,6% na quinta-feira, eliminando os ganhos de 4% registrados na quarta-feira, após os resultados eleitorais. O ether recuou ainda mais, com perda diária de 7,8%, enquanto o índice GMCI 30, que acompanha 30 das principais criptomoedas, caiu 6,4%.
As ações de tecnologia também tiveram um desempenho fraco. O Nasdaq Composite recuou 5,5%, enquanto o S&P 500 perdeu 4,4%.
Parte da cautela dos investidores está relacionada à possibilidade de restrições à expansão da infraestrutura de inteligência artificial (IA), após os democratas conquistarem maioria tanto na Câmara quanto no Senado dos Estados Unidos.
Kyle Rodda, analista sênior de mercados financeiros da Capital.com, afirmou que o resultado eleitoral ampliou as preocupações em torno dos investimentos em IA. Segundo ele, o mercado já questionava as avaliações das empresas de tecnologia e o ritmo dos gastos com infraestrutura.
“The regulatory and political risks arise at a time when the proverbial AI trade was already on shakier foundations”, disse Rodda, ao apontar também resultados corporativos decepcionantes e sinais de desaceleração nos investimentos em IA.
Axel Rudolph, analista-chefe técnico da IG, afirmou ao The Block que o bitcoin foi “dragged into the AI rout as investors rapidly unwind risk across technology and crypto markets”.
A correlação entre o bitcoin e as ações de tecnologia também contribuiu para a pressão sobre o ativo. Com investidores reduzindo posições de risco, mais de US$ 1 bilhão em posições alavancadas no mercado cripto foram liquidadas em 24 horas.
Apesar do cenário, André Dragosch, chefe de pesquisa para a Europa da Bitwise, avalia que o bitcoin pode superar o desempenho das ações americanas enquanto o mercado reavalia os investimentos em IA. Para ele, o preço do ativo está mais sensível ao dólar e às expectativas sobre a política monetária do que ao crescimento econômico, o que abre espaço para um possível distanciamento em relação às bolsas caso as condições financeiras melhorem.







