O rendimento do Bitcoin que está fazendo Wall Street repensar a renda fixa tradicional

O rendimento do Bitcoin que está fazendo Wall Street repensar a renda fixa tradicional

Uma estratégia financeira conhecida como carry trade de Bitcoin está entregando retornos superiores aos da dívida do governo dos Estados Unidos. No dia 7 de agosto, o rendimento anualizado dos contratos futuros da criptomoeda na Chicago Mercantile Exchange (CME) variou entre 5,69% e 7,89%.

Esses valores ultrapassam o rendimento de 4,19% dos títulos do Tesouro americano de dois anos registrados na mesma data. A mudança ocorre em um período de forte reajuste para o mercado de títulos tradicionais globais.

A mecânica da operação é objetiva. O investidor institucional compra o ativo à vista (spot) e, simultaneamente, entra vendido (short) em um contrato futuro na CME. A diferença de preço entre as duas pontas forma o lucro da operação, semelhante ao cupom de um título de renda fixa.

Em termos práticos, usando a cotação de referência de US$ 64.880 no mercado à vista e o contrato futuro de agosto negociado a US$ 65.175, o retorno anualizado atingiu os 7,89%. Para os vencimentos de setembro e dezembro, as taxas ficaram em 6,25% e 5,69%, respectivamente.

Como o carry trade de Bitcoin aproveita o cenário da dívida americana

Enquanto o carry trade de Bitcoin avança, os analistas do mercado tradicional continuam revisando suas projeções de alta para os juros. Os rendimentos dos títulos do Tesouro de longo prazo estão em seus maiores patamares desde 2007, impulsionados pela necessidade dos investidores de maior compensação diante do déficit americano.

O posicionamento do mercado mostra que as instituições estão atentas. Dados recentes da CME revelam que os fundos de hedge assumiram uma postura compradora (bullish) para o ativo neste mês, um comportamento incomum nos registros dos últimos anos para essa classe de investidores.

Há também uma injeção expressiva de capital novo. Os ETFs à vista nos Estados Unidos registraram captação de US$ 865 milhões na semana encerrada em 7 de agosto. O fundo IBIT da BlackRock liderou o movimento, absorvendo US$ 694 milhões, o equivalente a 80% desse volume.

Apesar dos prêmios elevados, a execução da estratégia exige o pagamento de custos operacionais. Taxas de financiamento, exigências de margem e custos de corretagem reduzem o lucro bruto da operação, impedindo que os fundos de arbitragem fechem totalmente a diferença de preços do mercado.