
Uma lista compilada pelo pesquisador de criptomoedas Stacy Muur reúne 82 projetos e protocolos que teriam encerrado as atividades em 2026. Entre eles estão Balancer, Radiant Capital, Neon EVM e Step Finance, em um movimento que atinge áreas como finanças descentralizadas (DeFi), infraestrutura blockchain e jogos Web3.
Em uma publicação nas redes sociais, Muur afirmou que nunca havia presenciado uma quantidade de encerramentos como essa. Os motivos variam entre dificuldades para gerar receita, falta de financiamento e falhas de segurança.
A pressão financeira se intensificou após um período prolongado de mercado em baixa. O Bitcoin (BTC), que superou US$ 126 mil em outubro de 2025, recuou para menos de US$ 60 mil no início de 2026, dificultando a sobrevivência de projetos que já enfrentavam problemas para conquistar usuários e manter receitas.
Entre os casos mais conhecidos está o Blast, uma rede de segunda camada do Ethereum que anunciou o encerramento neste mês. O projeto justificou a decisão pela ausência de um “caminho crível” para alcançar a viabilidade econômica, apesar de ter atraído mais de US$ 2 bilhões em depósitos no passado.
Outras plataformas enfrentaram problemas distintos. A Step Finance encerrou as operações em fevereiro após uma violação de segurança que atingiu sua tesouraria. Em junho, a Radiant Capital anunciou que encerraria as atividades por não ter conseguido se recuperar de um ataque ocorrido em 2024.
Já a Satori Finance, apoiada pela Coinbase, interrompeu as operações após concluir que a receita gerada não era suficiente para sustentar o negócio.
Por que tantos projetos de criptomoedas estão fechando?
Um levantamento publicado pela DeFiLlama em agosto identificou 100 projetos de criptomoedas que haviam anunciado o encerramento das atividades em 2026. Desse total, 40 haviam comunicado a decisão nos 90 dias anteriores ao levantamento.
A principal dificuldade apontada foi a ausência de product-market fit, expressão usada para descrever quando um produto não encontra demanda suficiente no mercado. Entre os outros motivos estavam o esgotamento dos recursos financeiros, a receita insuficiente e a decisão de redirecionar os negócios para outros produtos.
Os projetos analisados levantaram aproximadamente US$ 1 bilhão em financiamento e acumularam US$ 250 milhões em taxas. Nove deles receberam mais de US$ 50 milhões cada, mostrando que captar grandes quantias não garante a continuidade das operações.
Ao mesmo tempo, o investimento de capital de risco no setor ficou mais concentrado. Segundo a DeFiLlama, o financiamento de venture capital aumentou no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, mas o número de negócios caiu 80%.
As fusões e aquisições também ganharam espaço. Na ocasião do levantamento, haviam sido registradas 87 transações desse tipo, um volume 65% superior ao do ano anterior.







