A Solana apresentou o Quantumglow, uma proposta para adaptar o Alpenglow a possíveis ataques de computadores quânticos. A iniciativa busca proteger o mecanismo de consenso da rede sem abrir mão da rapidez na confirmação das transações.

O projeto foi destacado em um vídeo publicado por desenvolvedores da Solana em 22 de outubro. A conta oficial da rede também compartilhou a explicação e afirmou que a Solana “has been early in quantum readiness and remains ahead in its preparation”.

Apesar da divulgação, não há data de ativação anunciada para o Quantumglow, nem um documento específico de melhoria da Solana (SIMD) identificado para a proposta. Portanto, a iniciativa ainda não representa uma atualização de segurança implantada na rede.

A pesquisa já havia sido apresentada pela Anza, equipe de desenvolvimento do ecossistema, em 30 de julho. O trabalho, assinado por Quentin Kniep, Kobi Sliwinski e Roger Wattenhofer, descreve como adaptar o consenso do Alpenglow para resistir a ameaças quânticas.

Como o Quantumglow pretende proteger o consenso da Solana

A proposta enfrenta dois desafios: assinaturas criptográficas resistentes a ataques quânticos tendem a ocupar mais espaço, e não há uma substituição pronta para o sistema compacto de agregação de assinaturas usado para comprovar o acordo entre validadores.

Para contornar essas limitações, os pesquisadores propõem o Ax, sigla para Alpenglow XMSS, um mecanismo de assinatura baseado em funções hash. A ideia é permitir que os validadores troquem e armazenem antecipadamente material de chave pública de uso único, reduzindo a quantidade de informações transmitidas junto às assinaturas posteriores.

O desenho também prevê um compromisso assinado que representa os dados de um bloco, com apoio de canais de comunicação autenticados. Assim, não seria necessário anexar uma assinatura pós-quântica extensa a cada parte dos dados do bloco.

Outra mudança envolve os certificados que comprovam o acordo entre os participantes. Em vez de depender exclusivamente de certificados enviados pela rede, o modelo proposto registra eventos localmente quando um nó reúne evidências suficientes. A pesquisa separa as evidências necessárias para garantir a segurança do consenso daquelas que permitem à rede continuar avançando.

Segundo os pesquisadores, cada mensagem permanece com tamanho constante, independentemente do número de nós, embora o volume total de comunicação cresça de forma quadrática. Essa é uma característica do desenho proposto e de suas premissas, não um resultado de desempenho já medido na rede principal.

A iniciativa também não deve ser confundida com a ativação do próprio Alpenglow. A Solana Foundation registra que o protocolo entrou em operação na rede principal em 21 de outubro, no epoch 1064, com uma meta de finalização de aproximadamente 150 milissegundos, ante 12,8 segundos do TowerBFT.

O Quantumglow trata de uma frente diferente: adaptar esse consenso para cenários de ameaça quântica. A avaliação de segurança publicada pela Anza em abril aponta que os riscos vão além do consenso e incluem contas, propagação de blocos, redes e programas definidos pelos usuários.

Caso um atacante consiga quebrar a criptografia Ed25519, usada atualmente em assinaturas, poderá falsificar assinaturas de contas. Votos de consenso falsificados também poderiam sustentar confirmações conflitantes, segundo a avaliação. Por isso, os pesquisadores destacam a necessidade de trabalho adicional em migração de contas, verificação de assinaturas, comunicação entre nós e ferramentas criptográficas para programas.

O Quantumglow ainda é uma proposta de pesquisa, não uma proteção já ativada. A adaptação do consenso é apenas uma parte da preparação da Solana para possíveis ameaças quânticas, e o material divulgado não estabelece quando essa tecnologia poderá chegar à rede principal.

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Luíza Nunes
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