As criptomoedas focadas em privacidade superaram o mercado geral de forma expressiva ao longo de agosto. Os grandes destaques do mês foram Zcash e Monero, que registraram valorizações de 82% e 40%, respectivamente, tracionadas por avanços institucionais e descentralizados.
O principal motor para o Zcash (ZEC) foi a conversão do fundo da Grayscale no primeiro ETF à vista (spot) voltado a uma moeda de privacidade. Listado na bolsa NYSE Arca sob o código ZCSH, o produto foi finalizado no dia 25 de agosto, oferecendo aos investidores exposição direta ao ativo.
Atualmente, o fundo possui cerca de 304 milhões de dólares em ZEC custodiados pela Coinbase, com uma taxa de administração anual de 2,5%. A mudança para o formato de ETF soluciona o problema de defasagem de preço do antigo modelo de trust, que chegou a operar com 17% de desconto em relação ao valor líquido dos ativos em junho.
O que impulsionou o avanço de Zcash e Monero?
Enquanto o ZEC ganhou tração institucional, o Monero (XMR) avançou na frente da descentralização. A plataforma THORChain integrou os chamados swaps nativos para o XMR em sua versão 3.20, permitindo que os usuários troquem a moeda diretamente por ativos como bitcoin e ether.
Essa solução de liquidez cruzada (cross-chain) é vital para o ecossistema do ativo, visto que diversas corretoras centralizadas removeram o XMR de suas prateleiras recentemente devido a dificuldades de conformidade legal.
Apesar do mês forte para Zcash e Monero, o cerco regulatório global permanece rígido. Aproximadamente dez jurisdições já proíbem a negociação de criptomoedas de privacidade em corretoras regulamentadas, e as novas regras de transparência fiscal da OCDE estão previstas para entrar em vigor em 2026.
Para que o atual rali de Zcash e Monero seja sustentável no longo prazo, o setor precisará provar seu fluxo de liquidez real e demonstrar capacidade de equilibrar o anonimato das transações com a crescente pressão das autoridades financeiras globais.


