
A BlackRock superou as expectativas de analistas no terceiro trimestre, com ganhos ligados a criptomoedas e uma disparada nas taxas de performance. A maior gestora de ativos do mundo registrou US$ 630 milhões nessas cobranças, cerca de US$ 200 milhões acima das projeções do mercado.
O resultado também refletiu a valorização de participações em duas empresas do setor cripto, Securitize e Circle, que somaram US$ 102 milhões em ganhos contábeis. No balanço geral, o lucro ajustado por ação subiu 38%, para US$ 15,93.
A empresa recebeu US$ 205 bilhões em novos recursos de clientes, enquanto seus ativos sob gestão alcançaram um recorde de US$ 15,5 trilhões. As ações da BlackRock subiram cerca de 3% antes da abertura do mercado.
BlackRock registra salto nas taxas de performance
As taxas de performance mais que dobraram em relação ao segundo trimestre, quando totalizaram US$ 305 milhões. A maior parte do avanço veio de produtos de estratégias alternativas líquidas, conhecidos como liquid alternatives, cujas cobranças passaram de US$ 100 milhões para US$ 409 milhões em três meses.
Segundo a gestora, o aumento anual desse tipo de receita foi impulsionado principalmente por um único fundo de hedge. Como o fundo calcula seu desempenho uma vez por ano, o período de avaliação terminou no terceiro trimestre, concentrando as cobranças no balanço atual.
Essas taxas tiveram peso relevante no resultado: responderam por quase metade do aumento de US$ 668 milhões na receita da BlackRock em comparação com o trimestre anterior.
Quanto a BlackRock ganhou com criptomoedas?
A valorização de participações ligadas ao mercado cripto também contribuiu para o resultado. A gestora registrou um ganho de US$ 80 milhões com sua participação na Securitize, empresa que transforma ativos financeiros, como fundos e ações, em tokens negociados em blockchain.
Em setembro, as ações da Securitize subiram 15% após a concessão de uma isenção regulatória nos Estados Unidos.
A BlackRock também contabilizou um ganho de US$ 22 milhões com sua participação na Circle, emissora da stablecoin USDC, vinculada ao dólar americano. O contraste é expressivo: um ano antes, essa mesma participação havia gerado uma perda de US$ 115 milhões.
Os ganhos vieram da valorização dos investimentos, e não da venda das participações. A volatilidade desses ativos continua relevante: as ações da Circle chegaram a cair 11% em um único dia de setembro.
A BlackRock afirmou que a melhora das receitas fora de suas atividades principais contribuiu para o avanço de 38% no lucro ajustado por ação. O lucro operacional ajustado cresceu 27% no trimestre.
O que esperar do próximo trimestre?
O CEO Larry Fink afirmou que a empresa entra no quarto trimestre, historicamente o mais forte para os negócios, com “seasonally strongest fourth quarter with accelerating momentum”.
O impacto do fundo de hedge que impulsionou as taxas de performance, porém, não deve se repetir pelo mesmo mecanismo antes da próxima avaliação anual, prevista apenas para o terceiro trimestre de 2027.
A BlackRock não revelou o nome do fundo responsável pelo impulso nas receitas. A explicação também não é inédita: em 2020, o então diretor financeiro Gary Shedlin atribuiu um salto nas taxas a “a single hedge fund that locks annually in the third quarter”.









