A adoção de criptomoedas global caiu apenas 1,6% nos 12 meses encerrados em 30 de junho de 2026, mesmo depois de uma queda de 50% no valor total do mercado, segundo a Chainalysis.

A atividade econômica medida pela empresa passou de US$ 9,5 trilhões para US$ 9,4 trilhões no período. Em contraste, a capitalização total do mercado perdeu cerca de US$ 2,1 trilhões.

Para a Chainalysis, o período representou o pior mercado de baixa do setor desde 2022. Ainda assim, diferentes segmentos da adoção de criptomoedas tiveram comportamentos bastante distintos.

Os fluxos direcionados a corretoras, protocolos de DeFi e outros serviços de criptomoedas recuaram 4,3%, para US$ 8,9 trilhões. Enquanto isso, as transferências domésticas peer-to-peer dispararam 302,9%, chegando a US$ 228,7 bilhões.

O movimento também apareceu nas operações internacionais. Os fluxos de stablecoins entre países cresceram 77,5%, passando de US$ 124,2 bilhões para US$ 220,3 bilhões no período analisado.

A própria Chainalysis afirma que esse número é conservador porque exclui transferências nas quais não foi possível identificar com segurança os países de origem e destino.

Segundo a empresa, o crescimento está ligado a pagamentos com valor médio de cerca de US$ 3 mil, mais compatíveis com usos cotidianos do que com grandes operações institucionais. Entre os exemplos citados estão pagamentos a fornecedores, envio de dinheiro para familiares e movimentação de poupanças para fora de moedas consideradas pouco confiáveis por seus usuários.

Adoção de criptomoedas ganha força no Brasil

O Brasil apareceu no topo do índice global de adoção de criptomoedas da Chainalysis em 2026, que passou a considerar quatro dimensões: entrada de recursos em serviços, atividade doméstica peer-to-peer, fluxos internacionais e saldos on-chain.

A economia cripto brasileira movimentou US$ 252,5 bilhões, segundo o levantamento. O país ficou em terceiro lugar tanto em fluxos totais quanto em atividade doméstica peer-to-peer, alcançou a quarta posição em saldos e ficou em segundo lugar nos fluxos internacionais.

Na sequência do ranking geral vieram Estados Unidos, Nigéria, Japão e Coreia do Sul.

Mesmo com a liderança brasileira no índice de adoção, a atividade no país caiu 1,6% durante o período analisado. Na América Latina como um todo, porém, a adoção de criptomoedas cresceu 9,8%, alcançando US$ 593,8 bilhões.

México, Argentina, Colômbia e Venezuela registraram crescimento. No caso da Venezuela, a alta chegou a 107,2%, levando a economia cripto do país para US$ 39,1 bilhões.

Outro ponto destacado pela Chainalysis foi o comportamento das stablecoins durante a queda do mercado.

Enquanto os saldos globais de outros ativos digitais recuaram de US$ 860 bilhões em setembro de 2025 para US$ 440 bilhões em junho de 2026, os saldos de stablecoins permaneceram relativamente estáveis, entre US$ 98 bilhões e US$ 109 bilhões.

Os dados indicam que a queda na capitalização não significou uma redução proporcional no uso da infraestrutura cripto. Parte da atividade migrou para transferências peer-to-peer e operações internacionais com stablecoins, enquanto esses ativos mantiveram seus saldos muito mais estáveis ao longo do período.

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Luíza Nunes
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