
Tom Lee, um dos defensores mais conhecidos do Ethereum, prevê dificuldades para a criptomoeda no curto prazo após uma forte queda na bolsa da Coreia do Sul. O receio é que investidores pressionados pelas perdas no mercado acionário precisem vender ativos digitais para levantar dinheiro.
Em 13 de outubro, o índice Kospi recuou mais de 6% durante o pregão, pressionado por ações de tecnologia e fabricantes de semicondutores. A Samsung Electronics e a SK Hynix registraram perdas próximas ou superiores a 8%.
A intensidade da queda levou a Korea Exchange a ativar o mecanismo conhecido como sidecar, que suspende temporariamente determinadas ordens automatizadas quando os contratos futuros apresentam oscilações excessivas. Na ocasião, os futuros do Kospi 200 acumulavam baixa superior a 5%.
Em uma publicação no X, Lee resumiu sua preocupação: “This significant drop in Korean stocks is likely spreading to cryptocurrencies.” O cofundador da Fundstrat apontou dois riscos principais: liquidações de posições alavancadas em corretoras sul-coreanas e a participação expressiva dos investidores do país no mercado de ativos digitais.
O executivo também usou a expressão “short-term pain for ETH”, indicando a possibilidade de pressão de curto prazo sobre o ether. Ele não apresentou, porém, um preço-alvo para a queda nem estimou quanto tempo esse movimento poderia durar.
Ethereum pode sofrer com chamadas de margem
Investidores que compram ações com dinheiro emprestado precisam manter garantias suficientes para cobrir suas posições. Quando os ativos perdem valor, as corretoras podem exigir depósitos adicionais ou determinar a redução das posições para limitar o risco.
Caso o investidor não tenha dinheiro disponível, pode vender outros ativos para conseguir liquidez, incluindo Bitcoin e Ethereum. Assim, uma correção na bolsa sul-coreana pode pressionar o mercado cripto mesmo sem um acontecimento específico relacionado à rede Ethereum.
O Ethereum chegou a cair para perto de US$ 2.411 durante o pregão, antes de se recuperar para aproximadamente US$ 2.515. Ainda assim, acumulava desvalorização de cerca de 6% em sete dias, enquanto a faixa entre US$ 2.500 e US$ 2.550 permanecia sob observação técnica.
Lee, contudo, não apresentou dados que comprovem uma onda de vendas de ETH por investidores sul-coreanos para cobrir chamadas de margem. Por enquanto, o contágio é um cenário possível, mas sem dimensão confirmada.
A pressão também encontra um mercado com outros indicadores de fraqueza. A relação ETH/BTC, que compara o desempenho do ether com o do Bitcoin, recuou cerca de 4,7% em uma semana, para aproximadamente 0,030. O movimento sugere que o Bitcoin tem resistido melhor à incerteza recente.
Os ETFs à vista de Ethereum nos Estados Unidos também registraram várias sessões de saídas líquidas, reduzindo uma possível fonte de demanda institucional. Outro indicador de liquidez acompanhado na Binance atingiu seu nível mais baixo em quase sete meses. Essa queda, isoladamente, não comprova predominância de vendedores, pois também pode refletir a retirada de ETH para carteiras privadas.
Apesar do cenário de curto prazo, Lee mantém sua tese otimista para o ativo. Ele preside a BitMine Immersion Technologies, empresa que comprou mais 12.532 ETH na semana encerrada em 11 de outubro. A companhia passou a deter 6.028.946 ETH, equivalentes a aproximadamente 4,9% da oferta estimada de 122,1 milhões de unidades, com valor superior a US$ 15 bilhões aos preços considerados na fonte.
O ritmo de compras diminuiu à medida que a empresa se aproxima da meta de concentrar 5% da oferta de Ethereum. Segundo os números apresentados, faltariam cerca de 77 mil ETH para atingir esse patamar.
Lee continua apostando no potencial de longo prazo do ativo, com base no avanço da tokenização, das stablecoins e dos agentes de inteligência artificial. Seu alerta de 13 de outubro, portanto, diz respeito a possíveis vendas forçadas provocadas pela turbulência na Coreia do Sul, e não ao abandono dessa perspectiva.
O comportamento do Kospi e a capacidade do ETH de se sustentar na região de US$ 2.500 serão importantes para avaliar se a pressão permanece passageira ou ganha força.
Até que surjam dados adicionais, a hipótese de contágio deve ser tratada como um risco de mercado, não como uma confirmação de novas quedas.









