Pessoas físicas ainda detêm a maior parte do fornecimento global de Bitcoin, somando cerca de 13,9 milhões de BTC. Esse montante equivale a 66% de todas as 21 milhões de unidades que existirão. Como resultado, grandes investidores institucionais disputam um volume limitado que os atuais detentores nem sempre aceitam vender.

Outros grupos somam aproximadamente 17% do fornecimento total da moeda. Em 9 de outubro, fundos negociados em bolsa (ETFs) detinham 1,48 milhão de BTC, empresas controlavam 1,66 milhão e governos possuíam cerca de 518,5 mil unidades. Além disso, estima-se que 1,6 milhão de BTC foram perdidos e 968 mil pertencem ao criador anônimo Satoshi Nakamoto.

O cenário de posse, contudo, começou a mudar recentemente. Em 2025, investidores individuais venderam um saldo líquido de 696 mil unidades. No mesmo período, empresas, fundos de investimento e governos adquiriram quase um milhão de Bitcoins. Se essa tendência continuar, as instituições terão que pagar valores mais altos para atrair vendedores.

O impacto das empresas no futuro do Bitcoin

A manutenção dessas posições em carteira gera custos expressivos para grandes corporações. A Strategy, por exemplo, possui cerca de 848 mil BTC, mas usou US$ 142,5 milhões de suas reservas em dólar para juros e dividendos na semana encerrada em 4 de outubro. Ela também gastou US$ 73,7 milhões na recompra de ações preferenciais e apenas US$ 28,7 milhões na aquisição de 334 Bitcoins.

Outras empresas buscam saídas diferentes para garantir liquidez e gerenciar seus balanços. A japonesa Metaplanet vendeu 10 mil BTC e comprou 11 mil no terceiro trimestre, mantendo 44 mil moedas e limitando a exposição ao ativo entre 85% e 90% do seu patrimônio total.

Com a cotação do Bitcoin negociada perto de US$ 83.000, a demanda vinda de grandes fundos e corporações permanece elevada. No entanto, os gastos operacionais detalhados nos relatórios das empresas mostram que sustentar grandes reservas de Bitcoin exige recursos financeiros significativos, disputando espaço com novas compras no mercado.

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Luíza Nunes
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