
Os seis maiores bancos do Canadá fecharam um acordo para construir uma infraestrutura unificada voltada para o dólar canadense tokenizado. RBC, TD, BMO, Scotiabank, CIBC e National Bank anunciaram o desenvolvimento conjunto dessa nova rede na última terça-feira.
Nesta etapa inicial, o foco do projeto é facilitar a movimentação de capital apenas entre as próprias instituições financeiras participantes. A tecnologia, portanto, não estará disponível diretamente para carteiras digitais de consumidores.
Na prática, um depósito tokenizado é o mesmo dinheiro comercial de sempre, submetido às mesmas regras bancárias, mas representado como um ativo digital em um registro compartilhado. As instituições enfatizaram que não se trata de uma nova criptomoeda, tampouco de uma Moeda Digital de Banco Central (CBDC).
Em comunicado conjunto, os bancos afirmaram que buscam criar um sistema “competitivo e seguro”. A prioridade é manter as salvaguardas que regulam o mercado fiduciário, deixando a estrutura aberta para que outras instituições de depósito locais possam ingressar no futuro.
Vantagens operacionais do dólar canadense tokenizado
Atualmente, as transferências interbancárias no país apresentam liquidação lenta fora do escopo do formato eletrônico básico. Com a nova tecnologia, os bancos poderão liquidar remessas instantaneamente e de forma ininterrupta.
O sistema também permitirá transações programáveis, como a liberação de fundos no momento exato em que uma carga de mercadorias passar pela alfândega. Para os clientes, toda a complexidade rodará nos bastidores, de forma semelhante ao funcionamento invisível das transferências tradicionais.
A iniciativa privada para o dólar canadense tokenizado difere dos debates governamentais sobre moedas digitais. Em 2023, uma consulta pública do Banco do Canadá recebeu quase 90 mil respostas, com 85% do público rejeitando uma possível CBDC para preservar a privacidade e o acesso ao dinheiro físico. Uma tentativa anterior do governo, o MintChip, foi vendida em 2016 e descontinuada em 2018.
Nos Estados Unidos, bancos como JPMorgan, Citi, Bank of America e Wells Fargo desenvolvem uma rede concorrente por meio da The Clearing House. Focada no primeiro semestre de 2027, a infraestrutura busca evitar que as stablecoins captem os depósitos bancários tradicionais. Paralelamente, uma aliança de 39 associações bancárias estaduais americanas cria sua própria versão voltada para credores regionais.
As instituições canadenses também mantêm estratégias duplas de atuação. Scotiabank e TD estão entre os 21 bancos que apoiam um projeto separado de stablecoin atrelada ao dólar americano, também para 2027. Além disso, o BMO tornou-se este ano o primeiro banco a operar na plataforma do CME Group no Google Cloud, movimentando capital institucional em dólares americanos 24 horas por dia.
Até o momento, o sistema baseado no dólar canadense tokenizado não possui uma data oficial de lançamento. A fase primária continua restrita às transferências internas do consórcio fundador, aguardando definições para futuras expansões no mercado financeiro.









