
O Bitcoin recuperou o patamar de US$ 82,5 mil nesta sexta-feira, depois de cair para perto de US$ 80,3 mil na quinta-feira. A alta veio após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o país não atacaria o Irã antes das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.
Apesar da recuperação, o Bitcoin continua cerca de 4% abaixo do nível registrado na sexta-feira anterior. O Ether teve desempenho ainda mais fraco, com queda de 9% na semana, para aproximadamente US$ 2.500.
Tokens menores lideraram a recuperação do mercado cripto. O índice CoinDesk 80 avançou 2,2% desde a meia-noite UTC, mais que o dobro da alta do CoinDesk 5.
O movimento, porém, ainda não compensou as perdas recentes. O CoinDesk 100 acumulava queda de 2,2% em 24 horas, enquanto os tokens de finanças descentralizadas (DeFi) recuavam quase 4%.
Os fundos negociados em bolsa (ETFs) à vista de Bitcoin, Ether e Zcash listados nos Estados Unidos registraram saídas líquidas na quinta-feira. Entre os produtos de investimento em criptomoedas monitorados, apenas os fundos ligados ao XRP atraíram recursos.
Bitcoin se recupera, mas derivativos mostram cautela
A discussão sobre segurança criptográfica também pesou sobre o sentimento do mercado. Justin Drake, pesquisador da Ethereum Foundation, defendeu uma estratégia chamada “bunker mode”, que envolve preparar carteiras e sistemas para possíveis ameaças futuras. A proposta ganhou atenção em meio à queda de quinta-feira, mas também recebeu críticas.
Yehuda Lindell, criptógrafo da Coinbase, classificou as preocupações como “FUD”, sigla em inglês para medo, incerteza e dúvida. Segundo ele, não há evidências de que as premissas matemáticas baseadas em curvas elípticas, que sustentam a segurança do Bitcoin e do Ether, tenham sido quebradas.
Nos derivativos, os dados indicam que a recuperação do Bitcoin não foi acompanhada por um aumento relevante nas posições alavancadas. O interesse em aberto dos contratos futuros de BTC caiu 1,9% em 24 horas, para US$ 27,1 bilhões, segundo a Coinalyze, e pouco mudou desde a liquidação de posições ocorrida na tarde de quinta-feira.
As taxas de financiamento, conhecidas como funding rates, permaneciam positivas, em torno de 5% ao ano, com a taxa projetada ligeiramente acima desse nível. Isso significa que os investidores posicionados na alta continuam pagando para manter suas posições compradas. Na Deribit, os contratos futuros de Bitcoin com vencimento em 30 de outubro apresentavam uma base anualizada de aproximadamente 7%.
O posicionamento dos investidores também seguia concentrado na expectativa de valorização. A proporção agregada entre posições compradas e vendidas em Bitcoin na Coinalyze era de 1,85, o equivalente a cerca de 65% de posições compradas. No início do mês, a relação estava próxima da paridade entre os dois lados.
As liquidações forçadas somaram US$ 1,09 bilhão nas últimas 24 horas, segundo dados da CoinGlass. Desse total, US$ 931 milhões, ou aproximadamente 85%, vieram de posições compradas.
O Ether liderou as liquidações, com US$ 345 milhões, seguido pelo Bitcoin, com US$ 266 milhões, e pela Solana, com US$ 65 milhões. A maior liquidação individual foi uma posição de ETH-USD de US$ 20 milhões na Hyperliquid.








