
A Europa está ampliando a oferta de stablecoins em dólar, mesmo enquanto autoridades do bloco defendem um mercado digital mais voltado ao euro. Para emissores locais, porém, a demanda por liquidez em dólar continua sendo difícil de ignorar em pagamentos e liquidações internacionais.
A alemã AllUnity lançou na quarta-feira a USDAU, uma stablecoin atrelada ao dólar. Com o novo ativo, a empresa amplia sua linha regulada sob o regime europeu MiCA para além das moedas europeias.
Para Alexander Höptner, CEO da AllUnity, oferecer apenas uma stablecoin em euro não atende às necessidades de empresas que operam internacionalmente.
“In global trade and FX markets, the US dollar is the glue”, disse Höptner à Cointelegraph. Segundo o executivo, empresas europeias precisam de acesso ao dólar para realizar pagamentos transfronteiriços em diferentes mercados.
Stablecoins em dólar respondem a uma demanda empresarial
A Stable Mint também defende a expansão desse mercado. James Bennett, CEO da empresa, afirmou que a procura por ativos digitais denominados em dólar está ligada às necessidades práticas de negócios, e não apenas à especulação.
A USDSM, stablecoin da Stable Mint, movimentou mais de US$ 380 milhões on-chain em 3,8 milhões de transferências e era mantida por mais de 2.600 endereços, segundo dados fornecidos pela própria empresa na quarta-feira.
Adam Bialy, CEO da Fiat Republic, destacou outra frente de demanda: plataformas de criptomoedas e empresas do setor que precisam de liquidação em dólar durante todo o dia. Para ele, uma stablecoin regulada pode reduzir atritos em operações entre Europa, Reino Unido e América do Norte.
A discussão também ganhou espaço enquanto a União Europeia revisa o arcabouço do MiCA. Ao mesmo tempo, o Banco Central Europeu continua manifestando preocupações sobre o papel das stablecoins no fortalecimento da dominância global do dólar.
Mesmo assim, os emissores europeus argumentam que a preferência pelo dólar não pode ser simplesmente redirecionada por política regulatória. A questão, segundo eles, seria definir quem oferece esses ativos aos usuários europeus e sob quais regras.
Para a Societe Generale-FORGE, braço de ativos digitais do banco francês Societe Generale, o objetivo não deveria ser escolher entre dólar e euro, mas criar um mercado mais diversificado e resiliente.
A instituição afirmou que sua stablecoin em dólar USDCV, lançada em 2025, despertou interesse em operações de negociação, liquidação, gestão de garantias e tesouraria.
Apesar do avanço, as stablecoins em dólar emitidas na Europa ainda representam uma parcela pequena do mercado global. Segundo dados da CoinGecko citados na fonte, USDSM e USDCV têm cerca de US$ 13 milhões cada, enquanto a USDT da Tether chega a US$ 184 bilhões e a USDC da Circle, a US$ 74 bilhões.
Para AllUnity, portanto, a disputa não precisa ser tratada como uma escolha entre sistemas monetários. A aposta está em uma infraestrutura capaz de conectar a liquidez em dólar a bancos e empresas europeias por meio de ativos digitais regulados.








