
O preço do Bitcoin registrou a marca de US$ 86 mil nesta segunda-feira, alcançando o maior valor dos últimos oito meses. O movimento de alta foi impulsionado pela liquidação forçada de traders que apostavam na queda da criptomoeda.
Quando o ativo superou a resistência de US$ 82.000, cerca de US$ 750 milhões em posições vendidas de derivativos foram liquidadas, segundo dados da CoinGlass. Esse processo obriga as corretoras a executarem ordens de compra, acelerando a subida.
Jim Ferraioli, chefe de pesquisa de criptomoedas da Schwab, explicou à CoinDesk a dinâmica do movimento: “Bitcoin subiu 5% nesta manhã devido à liquidação de contratos futuros perpétuos vendidos”.
No entanto, o interesse em aberto de contratos futuros cresceu em um ritmo ainda mais rápido. De acordo com a Coinalyze, aproximadamente US$ 2 bilhões em novas posições alavancadas foram abertos após o rompimento inicial.
Nicolai Sondergaard, analista sênior da Nansen, observa que a trajetória do preço do Bitcoin se tornou otimista de forma mais rápida do que o posicionamento real estrutural dos investidores.
O preço do Bitcoin vai buscar os US$ 90 mil?
O mercado monitora de perto os fluxos dos ETFs à vista nos Estados Unidos para sustentar essa alta. Após saídas expressivas de US$ 746 milhões entre terça e quarta-feira, os fundos registraram fortes entradas, somando quase US$ 600 milhões nos dois dias seguintes.
Com o avanço recente, os investidores de ETFs de Bitcoin nos EUA voltaram a registrar lucros líquidos. O preço médio de aquisição para esses compradores está na faixa de US$ 82.225.
Analistas da Nansen apontam a marca de US$ 87.000 como a próxima resistência, seguida pelos níveis de US$ 90.000 e US$ 92.000. Jasper De Maere, trader da Wintermute, também avalia que um teste nos US$ 90 mil é um cenário provável.
Apesar da recuperação e do rompimento da média móvel de 50 semanas, os especialistas recomendam atenção com a sustentação do preço do Bitcoin no curto prazo. Chris Sullivan, co-gestor de portfólio da Hyperion Decimus, projeta uma correção assim que essa primeira onda perder força.
O desafio central agora é confirmar se a demanda no mercado à vista acompanhará o forte volume dos derivativos. Sem entradas consistentes em spot e ETFs, o movimento pode se transformar em um risco impulsionado apenas por alavancagem.






