Pela primeira vez desde dezembro de 2024, o total de contratos em aberto nos futuros de altcoins ultrapassou o do Bitcoin. Essa mudança estrutural, baseada em dados da plataforma Coinalyze, mostra um novo direcionamento de capital e posicionamento dos traders no mercado de criptomoedas.

Os contratos em aberto representam o volume de derivativos que ainda não foram liquidados. Acompanhando esse movimento, o valor de mercado das criptomoedas menores fora do top 10 rompeu a marca dos US$ 200 bilhões. Isso representa um ganho superior a 10% logo no início de setembro, enquanto o Bitcoin continua operando acima de US$ 80.000.

O comportamento da criptomoeda ZEC serve como um exemplo direto desse cenário. O interesse em aberto do token atingiu o recorde de US$ 2,4 bilhões recentemente. Quando o preço da ZEC ultrapassou os US$ 1.000, o mercado registrou a liquidação forçada de US$ 34 milhões em posições de venda a descoberto (shorts).

Riscos de alavancagem e o impacto nos futuros de altcoins

Analistas de mercado observam que o ritmo de liquidações tende a acelerar quando o total de contratos em aberto se aproxima de 4,42% do valor de mercado geral. Ao atingir essa proporção, o excesso de alavancagem torna os preços mais sensíveis, e qualquer oscilação repentina pode forçar o fechamento rápido de milhares de posições.

O trader institucional Ted avaliou a situação, notando que as moedas alternativas possuem espaço para superar o desempenho do Bitcoin nesta fase, embora o nível de risco esteja significativamente mais alto. A última vez que ocorreu essa inversão no volume de derivativos, o mercado presenciou correções fortes em diversos tokens de média capitalização.

Desta vez, no entanto, dados apontam que a alta não é sustentada apenas por especulação. O volume de compras no mercado à vista (spot) também cresceu. Mesmo assim, os investidores precisam avaliar a exposição: do mesmo modo que as liquidações recentes puniram quem apostava na queda, uma reversão nos preços atuais pode ser igualmente agressiva para as posições de compra.

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Luíza Nunes
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