Tokenização de ativos atinge US$ 37 bilhões, mas esbarra em problema de propriedade

Tokenização de ativos atinge US$ 37 bilhões, mas esbarra em problema de propriedade

O mercado de tokenização de ativos atingiu a expressiva marca de US$ 37,29 bilhões em agosto de 2026, excluindo as stablecoins. A maior fatia desse montante vem de títulos do Tesouro americano e produtos de mercado monetário, que somam US$ 16,16 bilhões, representando cerca de 43% do total.

As commodities ocupam o segundo lugar com US$ 4,60 bilhões, enquanto ações e ETFs já acumulam US$ 2,16 bilhões. Todo esse volume financeiro atraiu a atenção de investidores institucionais e forçou os reguladores dos Estados Unidos a traçarem regras mais rígidas.

O crescimento acelerado, no entanto, expõe uma questão central: a posse legal. Ter um token na carteira não garante automaticamente os direitos jurídicos sobre o produto financeiro subjacente, um risco exposto recentemente por tokens derivativos que não garantiam posse real de ações.

Para organizar o setor, a SEC dividiu os valores mobiliários tokenizados em duas categorias em janeiro. Existem os produtos patrocinados pelo emissor, onde a transferência on-chain atualiza o registro oficial, e as versões de terceiros, onde a propriedade legal fica registrada em outro lugar.

Billy Miller, diretor de operações da Securitize, defende que o modelo patrocinado pelo emissor é o caminho mais seguro. Ele explica que, nesse formato, o token representa o título e a propriedade reais, funcionando de maneira semelhante a uma representação digital das ações tradicionais.

A verdadeira barreira para a tokenização de ativos

A liquidação final do produto é o teste definitivo de propriedade. Eva Meng, executiva da Matrixdock, aponta que um registro na blockchain pode ser tecnicamente perfeito, mas o que importa é se o investidor consegue exercer seu direito, como trocar um token de ouro por uma barra física.

Myles Harrison, executivo do AMINA Bank, reforça que a tokenização de ativos não muda a essência do mercado para os institucionais. Ele destaca que grandes clientes não se importam com qual rede o ativo está, mas querem saber quem deve a eles e sob qual lei estão protegidos caso algo dê errado.

Outro obstáculo estrutural é o choque de horários entre o mundo cripto e as finanças tradicionais. Enquanto a blockchain permite que a tokenização de ativos seja negociada 24 horas por dia, os sistemas de compliance, custódia e liquidação dos bancos ainda operam em horário comercial padrão.

Bolsas tradicionais, como a NYSE, já preparam plataformas digitais para negociação ininterrupta. Roshan Robert, CEO da OKX US, afirma que transferidores digitais e blockchains são peças complementares, unindo a transparência das redes ao registro oficial de posse.

Apesar dos avanços tecnológicos, a infraestrutura convencional ainda dita o ritmo. Tentar liquidar uma grande operação financeira em uma instituição tradicional durante um fim de semana continua sendo impossível, mostrando que a integração total levará tempo.