Stablecoins dominam 98% das compras de cripto no Brasil no 1º trimestre de 2026

Stablecoins dominam 98% das compras de cripto no Brasil no 1º trimestre de 2026

O Banco Central do Brasil revelou na última sexta-feira números impressionantes sobre a adoção de criptoativos no país. No primeiro trimestre de 2026, os brasileiros movimentaram US$ 6,9 bilhões em compras de ativos digitais no exterior, mas um dado roubou a cena: o domínio absoluto das stablecoins.

Essas moedas pareadas ao dólar representaram US$ 6,8 bilhões desse total, ou seja, mais de 98% de toda a demanda cripto no período. O volume de stablecoins negociadas cresceu mais de 100% em relação ao mesmo período do ano passado, mostrando que o investidor local está cada vez mais dolarizado via blockchain.

A popularidade desses ativos não é por acaso. Além da proteção contra a volatilidade, elas são amplamente usadas para pagamentos e remessas internacionais, escapando de taxas financeiras pesadas que incidem sobre moedas tradicionais.

Por que o interesse em stablecoins disparou?

Até o momento, o governo federal adiou planos de taxar as remessas e compras feitas com stablecoins. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria suspendido a medida para focar nas próximas eleições presidenciais, o que manteve o caminho livre para o crescimento dessa modalidade.

Hoje, o Brasil já ocupa a quinta posição no ranking mundial de mercados de criptomoedas, atrás apenas de gigantes como EUA, Coreia do Sul, Rússia e Índia. Só no varejo, o volume total chegou a US$ 40,4 bilhões no início de 2026, com o uso desses ativos se expandindo para agências de viagens e transações entre empresas (B2B).

Fernando Rocha, chefe de estatísticas do Banco Central, destacou que a regulação das corretoras trará dados ainda mais precisos em breve. Segundo ele, “Essa informação deve começar a ser prestada entre fim do primeiro semestre e começo do segundo. A gente trabalha com o cenário de que ao longo do segundo semestre, a gente vai receber, tratar e validar essas informações, e podemos ter um conjunto mais robusto de dados das transações do setor externo para criptoativos”