O projeto de criptomoedas Pencil Finance concluiu um ciclo de financiamento de US$ 1 milhão estruturado totalmente na rede (on-chain). A iniciativa viabilizou cerca de mil empréstimos estudantis no Sudeste Asiático, integrando captação de recursos, pagamentos e retorno aos investidores diretamente na blockchain.
A operação funcionou por meio de um protocolo de empréstimo descentralizado. A empresa de financiamento educacional ErudiFi emitiu os contratos, enquanto a Pencil Finance empacotou as dívidas como um investimento de crédito privado on-chain.
Esse modelo permitiu que os financiadores fornecessem capital e acompanhassem os pagamentos por meio de registros públicos. O projeto foi co-incubado pela Animoca Brands e pela comunidade HackQuest, rodando na EDU Chain, uma rede voltada para educação baseada na tecnologia Ethereum e Arbitrum Orbit.
O pacote de crédito foi apoiado em julho de 2025 pela própria Animoca Brands, além de Open Campus e NewCampus. Segundo a Animoca, cada etapa do processo operou com transparência, devolvendo o capital inicial somado aos rendimentos para os investidores originais.
Como a Pencil Finance estruturou o crédito estudantil
A maior parte dos recursos chegou a estudantes da Indonésia e das Filipinas. O capital total da ErudiFi atendeu mais de 6.600 alunos ao longo de 12 meses, sendo aproximadamente 1.050 deles financiados diretamente pela estrutura desenvolvida pela Pencil Finance.
Para atrair capital, os investidores foram divididos em duas categorias. A parcela sênior garantiu retornos fixos e prioridade no recebimento, enquanto a parcela júnior assumiu os primeiros riscos de inadimplência em troca de retornos variáveis. Custos diretos aos alunos e taxas de inadimplência não foram divulgados pelas empresas.
Os dados do portfólio da ErudiFi indicam um impacto direto na inclusão financeira: metade dos estudantes atendidos são mulheres, 93% vêm de famílias de baixa renda e 52% estão acessando crédito formal pela primeira vez na vida.
Frank Li, cofundador da Pencil Finance, destacou o potencial tecnológico da operação: “Os credores de educação em mercados emergentes são dignos de crédito, mas invisíveis. O capital global não consegue verificar seu desempenho. Colocar o ciclo de empréstimos na blockchain muda isso: cada pagamento é registrado e auditável por qualquer pessoa, em tempo real”.


