A segurança no setor cripto voltou ao centro das atenções na França. O país registrou 77 casos de sequestros, extorsões, cárcere privado e tentativas de ataques ligados ao mercado de criptomoedas desde o início de 2026, levando o governo a ampliar as medidas de proteção para profissionais da indústria.
Os números foram apresentados pelo ministro do Interior, Laurent Nuñez, em 30 de junho, durante um encontro com a Associação para o Desenvolvimento de Ativos Digitais (Adan). O total já supera os 45 casos registrados ao longo de todo o ano de 2025.
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França amplia plano de segurança no setor cripto
Segundo as autoridades, a estatística não reúne apenas sequestros consumados, ela também inclui tentativas frustradas, casos de extorsão e episódios de cárcere privado relacionados ao setor. Até o momento, cerca de 200 suspeitos foram presos após investigações ou operações preventivas.
Os ataques também mudaram de perfil. Além de fundadores de empresas e investidores conhecidos, criminosos passaram a mirar familiares, funcionários e até pessoas que já tiveram participação no mercado de criptomoedas, mesmo sem possuir atualmente os valores que os grupos acreditam encontrar.
As investigações apontam que muitas dessas organizações utilizam informações disponíveis na internet para identificar possíveis vítimas. Publicações em redes sociais, fotos de viagens, anúncios de ganhos financeiros e vazamentos antigos de dados podem servir para traçar perfis e selecionar alvos.
Como resposta, o governo francês pretende acelerar o compartilhamento de informações entre diferentes órgãos de segurança para identificar veículos, contas online, grupos suspeitos e possíveis recrutamentos ligados a esses crimes.
Outra medida será ampliar a cooperação com a Adan. A proposta é criar uma rede de especialistas que reúna empresas do setor e autoridades para facilitar denúncias e melhorar a compreensão das técnicas utilizadas pelos criminosos em casos de extorsão envolvendo criptoativos.
Atualmente, 724 profissionais do setor já estão cadastrados em plataformas que permitem sua identificação imediata pelas forças de segurança, número que, segundo o governo, cresceu 11%. O objetivo é garantir uma resposta mais rápida quando uma ocorrência envolver empresas ou profissionais do mercado de ativos digitais.
A França também pretende intensificar a cooperação internacional para identificar e responsabilizar os organizadores desses grupos, já que muitos deles atuam a partir de outros países, enquanto recrutam executores localmente por meio de aplicativos de mensagens.
Para as autoridades, a segurança no setor cripto vai além da proteção de carteiras digitais, senhas e autenticação em dois fatores. A exposição de dados pessoais e financeiros passou a representar um risco crescente, tornando a discrição sobre patrimônio e investimentos uma medida adicional de proteção para investidores e profissionais da indústria.
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