Falha humana? Chaves privadas expostas causam 40% das perdas com hacks de cripto

Falha humana? Chaves privadas expostas causam 40% das perdas com hacks de cripto

O mercado de ativos digitais enfrenta um problema persistente com a segurança, mas o ponto fraco não está no código do ecossistema. Na verdade, o descuido com as chaves privadas responde por cerca de 40% dos US$ 16,69 bilhões perdidos pela indústria em invasões e explorações financeiras.

Dados da plataforma DeFiLlama mostram que a infraestrutura central do blockchain costuma ser robusta. O calcanhar de Aquiles do setor assemelha-se ao roubo de senhas no sistema bancário tradicional, onde agentes maliciosos conseguem acesso a fortunas ao interceptar as credenciais dos usuários.

O combate ao crime cripto mudou de alvo: agora a pressão recai sobre a infraestrutura

Como o mercado planeja proteger as chaves privadas

A empresa de segurança Web3 CertiK destaca essa mudança de cenário. “Estamos observando que os incidentes de segurança operacional estão aumentando, enquanto as explorações de contratos inteligentes estão diminuindo, refletindo que os atacantes normalmente visam os pontos mais fracos”, explicou a companhia.

Quando o investidor perde ou tem suas chaves privadas acessadas por terceiros, não há um serviço de atendimento para redefinir o acesso ou estornar os valores. Quem detém a sequência de caracteres passa a ser o dono definitivo dos fundos armazenados naquela carteira.

Especialistas apontam que a fragilidade surge quando essas credenciais precisam interagir com o ambiente digital. Leo Fan, fundador da Cysic, argumenta que o problema não é a criptografia, mas sim a gestão de custódia. “As chaves operacionais precisam estar ativas para serem úteis, residindo dentro de serviços cercados por repositórios de segredos, dependências e humanos”, afirmou Fan.

Um caso emblemático ocorreu no ataque à Bybit em fevereiro de 2025, resultando no desvio de US$ 1,5 bilhão em Ethereum. Criminosos corromperam ferramentas de software de terceiros, inserindo códigos maliciosos na interface web e induzindo executivos a assinar transações fraudulentas sem perceber.

Para mitigar esses riscos, o setor busca descentralizar o controle e eliminar o modelo de chave única. Soluções como carteiras de computação multipartidária (MPC) fragmentam o processo de assinatura digital, impedindo que uma única invasão exponha todo o patrimônio guardado.

Adicionalmente, a tecnologia de abstração de conta permite configurar regras personalizadas, como limites de gastos e guardiões de recuperação. Wish Wu, cofundador da Pharos, reforça que a segurança deve ser integrada desde a concepção do projeto, tratando a conscientização humana como a primeira barreira de defesa contra incidentes.

Golpes com criptomoedas evoluem com clones de voz e IA, revela novo relatório da Bitget Research