
A zk.money está de volta. A carteira desenvolvida pela Aztec Labs voltou a operar após três anos e oferece uma forma de fazer pagamentos com mais privacidade dentro da rede Aztec, conectada ao Ethereum.
A proposta é esconder informações como saldo, valor enviado e destinatário das transações realizadas dentro da rede. Já os depósitos vindos diretamente do Ethereum continuam deixando um registro público.
O usuário pode entrar na zk.money usando stablecoins como DAI, USDC e USDT. Na entrada, USDC e USDT são convertidos em DAI, que passa a ser o único ativo utilizado dentro da carteira.
No Ethereum, qualquer pessoa que tenha acesso ao endereço de uma carteira pode acompanhar seu saldo e o histórico de transferências. Isso pode revelar desde pagamentos feitos por empresas a fornecedores até informações sobre os gastos de uma pessoa.
A zk.money transfere essas operações para a Aztec, uma rede conectada ao Ethereum que utiliza tecnologia de provas de conhecimento zero para manter os dados das transações privadas.
Além de esconder valores e envolvidos nas operações, a carteira permite fazer pagamentos usando nomes legíveis, como “bob.zk.money”, ou links de pagamento. A proposta elimina a necessidade de copiar endereços longos para enviar ou solicitar fundos.
A carteira também é autocustodial. Segundo a Aztec Labs, isso significa que a empresa não consegue gastar ou congelar os fundos mantidos pelos usuários.
Como a zk.money funciona e o que ainda fica público
A privacidade não começa no momento em que o dinheiro entra no sistema. Quando um depósito é feito do Ethereum para a zk.money, o endereço de origem e o valor transferido continuam visíveis publicamente.
Depois que os fundos passam para a Aztec, porém, os saldos, valores e participantes dos pagamentos podem permanecer ocultos na rede.
A nova versão também chega com limites operacionais. Cada depósito, pagamento ou retirada precisa ficar abaixo de US$ 2.500, enquanto todos os usuários compartilham um limite diário de US$ 50 mil em depósitos. Segundo a documentação, as restrições foram adotadas como uma proteção enquanto o sistema ainda é novo.
A Aztec Labs afirma que esses limites podem aumentar conforme a confiança no sistema avance e uma nova versão do contrato seja lançada.
Há também custos específicos. Um depósito custa US$ 0,35 mais as taxas cobradas pelo Ethereum, enquanto cada retirada custa US$ 0,20. Dentro da carteira, os usuários recebem até 100 transações patrocinadas por dia.
Essas transações, no entanto, podem ser interrompidas caso o contrato responsável por pagar as taxas fique sem recursos ou não consiga cobrir o custo da rede naquele momento.
Outro ponto envolve compliance. Os endereços do Ethereum usados para depósitos e retiradas passam por uma triagem baseada em uma política de sanções.
A documentação também informa que um servidor assinado participa da autorização das operações dentro da carteira. Ele não consegue movimentar sozinho os fundos dos usuários.
A primeira versão da zk.money foi lançada em 2021 e encerrada em 2024. Segundo a Aztec Labs, o produto chegou a atender mais de 75 mil carteiras e processou mais de US$ 100 milhões antes do fechamento.
O retorno acontece enquanto o ecossistema Ethereum ainda discute novas formas de preservar a privacidade das transações. Desenvolvedores da rede avaliam mudanças para a atualização Hegotá, prevista para 2027, que poderiam facilitar o trabalho de aplicativos de privacidade ao lidar com aprovações e taxas.
No caso da zk.money, porém, a solução já está sendo oferecida diretamente sobre a rede Aztec.
A tecnologia ainda está em uma fase inicial. A rede permanece em Alpha, e a própria documentação alerta que o software não passou por auditoria completa e que falhas críticas podem ocorrer.
Em agosto, colaboradores divulgaram uma vulnerabilidade crítica no sistema de provas V5 e informaram que uma correção estava prevista para a versão V6. A carteira será lançada antes dessa correção, segundo Joe Andrews, CEO da Aztec Labs.
Andrews afirmou que um sistema separado, chamado Oxide, será usado para verificar pagamentos e identificar erros causados por falhas no software da rede. Quando a atualização estiver pronta, os usuários poderão migrar para a nova versão.








