O mercado de ativos digitais passa por uma forte turbulência e o preço do XRP recuou 4%, quebrando a importante barreira de suporte de US$ 1,30. Esse movimento acentuado expõe uma divisão nítida entre o varejo e os investidores institucionais. De um lado, traders de curto prazo e posições vendidas no mercado de derivativos forçam a cotação para baixo, do outro, compradores do mercado à vista (spot) absorvem as moedas liquidadas, demonstrando resiliência.
A desvalorização recente passou a impactar fortemente os investidores individuais. Segundo a empresa de análise Santiment, quem negociou o token nos últimos 30 dias acumula perdas não realizadas na faixa de 47%. Essa forte retração levou a relação MVRV de 30 dias para o menor nível registrado desde dezembro de 2020. Além disso, o otimismo diminuiu drasticamente, com os comentários nas redes caindo para uma proporção de apenas 1,1 menção otimista para cada menção pessimista.
Enquanto o preço do XRP sofre sob o peso de liquidações no curto prazo, os aportes em fundos regulados mostram outra realidade. Os ETFs baseados no token nos Estados Unidos registram seu melhor desempenho mensal do ano, atraindo US$ 117 milhões em entradas recentes ao longo de 13 pregões seguidos de alta, acumulando mais de US$ 1,12 bilhão.
Os dados da CryptoQuant também revelam essa bifurcação. No dia 22 de maio, o interesse em aberto na Binance e Bybit subiu cerca de 79,6 milhões de XRP, injetando US$ 107 milhões com o ativo perto de US$ 1,35. No dia 26, houve novo acréscimo de mais de 71 milhões de tokens na faixa de US$ 1,34, adicionando mais US$ 96 milhões em alavancagem.
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O que esperar para o preço do XRP a longo prazo?
No mercado de futuros perpétuos da Binance, a métrica CVD (Delta de Volume Cumulativo) despencou para o recorde negativo de cerca de -US$ 641,9 milhões, provando que os ursos estão operando altamente alavancados contra o ativo. Em contrapartida, o CVD do mercado à vista saltou para cerca de US$ 397,3 milhões, superando a marca de US$ 380 milhões de abril.
Por trás dessa disputa gráfica, a Ripple acelera seus planos no mercado financeiro tradicional. A empresa protocolou pedidos de marcas nos Estados Unidos voltadas para serviços como operações de tesouraria, corretagem prime, gestão de fundos de hedge, empréstimo de títulos, compensação financeira e gestão de ativos digitais.
Essa estrutura de Wall Street deve integrar o ecossistema corporativo que já conta com o Ripple Prime (mesa de negociação institucional), Ripple Custody (infraestrutura de custódia) e Ripple Payments (camada de liquidação transfronteiriça), com o XRP e a stablecoin RLUSD servindo de elo de ligação.
Olhando para trás, movimentos semelhantes na blockchain anteciparam grandes ciclos. Picos imensos de transações na rede em novembro de 2019 antecederam o rali de 2021 (onde o ativo saltou de US$ 0,15 para US$ 1,79). Outro pico em julho de 2024 impulsionou o token até a máxima recente de US$ 3,17 em meados de 2025.
Com uma nova explosão de transações registrada em abril de 2026, analistas debatem se a atual consolidação serve como base macroeconômica para um alvo técnico entre US$ 7,50 e US$ 8,00 no futuro. No entanto, analistas ponderam que essas métricas na rede não significam uma valorização imediata para o preço do XRP. O mercado segue em forte disputa: a especulação de curto prazo empurra para baixo, enquanto o apetite institucional de longo prazo tenta pavimentar um fundo sólido.
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