A famosa volatilidade do Bitcoin, que por anos foi vista como seu maior trunfo e defeito, está despencando. O indicador desabou de uma máxima de 120 em 2021 para perto de 35 recentemente, transformando a montanha-russa de preços em uma jornada bem mais estável.
Para Trace Mayer, investidor veterano e criador do Múltiplo de Mayer, essa calmaria não é um sinal de fraqueza. Em entrevista à CoinDesk, ele explicou que a redução na volatilidade do Bitcoin reflete diretamente o ganho de substância econômica e a forte adoção institucional do ativo.
Citando os esforços regulatórios, Mayer lembrou que até o presidente da SEC, Gary Gensler, prometeu “domar o Bitcoin”. Para o investidor, o mercado ficou grande demais para oscilar de forma tão errática. “O haltere está ficando mais pesado”, comparou Mayer. “Não é mais um peso de 50 libras. É um peso de 2.500 libras.”
Essa mudança estrutural é impulsionada pelo mercado de opções, especificamente com a venda de opções de compra (covered calls) por grandes empresas e instituições. Essa dinâmica força os criadores de mercado (market makers) a protegerem suas posições vendendo o ativo quando o preço sobe, criando um teto natural para as oscilações.
“Quando você consegue entrar e vender volatilidade de compra no mercado, os market makers terão que fazer delta negativo”, destacou Mayer. “Esse paredão negativo de chamadas é como adicionar peso no haltere. O preço não sobe necessariamente, mas a substância econômica total desse ativo aumentou.”
Múltiplo de Mayer indica amadurecimento e controle da volatilidade do Bitcoin
O próprio indicador criado por ele há oito anos — que divide o preço atual pela média móvel de 200 dias, reforça esse cenário. Hoje, a criptomoeda está cotada em 0,94, ligeiramente abaixo de sua tendência de longo prazo, com bandas estatísticas muito mais estreitas do que em ciclos passados.
O mercado evoluiu drasticamente desde 2017, quando Mayer começou a negociar opções na LedgerX. Atualmente, o ecossistema conta com ETFs alavancados como o BITX, ações de companhias como a MicroStrategy e o ativo figurando no caixa de gigantes como a SpaceX, que detém 18.712 BTC.
De acordo com Mayer, o controle da volatilidade do Bitcoin aproxima a criptomoeda de ativos tradicionais de proteção. “Para conseguir essa adesão, você meio que precisa de algo que seja muito chato, como o ouro”, afirmou. “O ouro é tão chato, e é disso que precisamos.”
Apesar de apontar riscos como a segurança da rede a longo prazo caso as taxas de mineração não compensem e a ameaça da computação quântica, ele mantém sua aposta firme contra o metal precioso para os próximos 15 anos. Diferente do ouro, cuja oferta aumenta se o preço subir, a escassez do Bitcoin é matemática e travada em 21 milhões de unidades.
Como o fluxo dos ETFs de Bitcoin influencia o mercado




