Têm sido dias difíceis para quem busca oportunidades em lançamentos de criptomoedas. Um levantamento recente revelou que quase oito em cada dez tokens criados na plataforma Pump.fun simplesmente interrompem suas negociações logo no primeiro dia de vida.

Os dados foram mapeados pela provedora Bitquery entre 1º de novembro de 2025 e 7 de outubro de 2026. A análise acompanhou cerca de 8,98 milhões de tokens na Pump.fun e constatou que apenas 1,5% registrou qualquer transação na quinta semana. Quando o filtro exige ao menos 10 negociações nesse mesmo período, a taxa cai para expressivos 0,2%.

A insatisfação cresce entre os investidores do ecossistema Solana. Traders relatam um ciclo cansativo marcado por vendas imediatas, prazos curtíssimos de retenção e o enfraquecimento do engajamento comunitário que antes sustentava esses projetos.

Esse cenário de vida curta não é exclusivo de um único ecossistema. Na Meteora Dynamic Bonding Curve, 51% dos ativos foram negociados apenas no dia do lançamento, número que subiu para 84% no Raydium LaunchLab. Na quinta semana, a fatia de tokens ativos ficou em 1,9% na Meteora e 1,3% no Raydium.

Aumento de lançamentos e o impacto nos tokens na Pump.fun

Um estudo paralelo da Jumpbit avaliou mais de 1,08 milhão de emissões na Pump.fun até meados de outubro. Com uma média diária de 36,1 mil criações, a pesquisa mostrou que 17,2% dos ativos tiveram trocas registradas após 24 horas do lançamento, enquanto somente 7,5% mantiveram movimentação depois de sete dias.

Ao fim da análise, apenas 0,5% continuava sendo negociado.

A escala de novas moedas impressiona. Dados do MemeFees apontaram que, no dia 19 de outubro, ao menos 21.765 tokens foram lançados em oito plataformas rastreadas. A Flap.sh liderou com 10.570 emissões, seguida por no mínimo 9.284 tokens na Pump.fun e 1.707 na Pons.

Outro ponto que chama a atenção do setor é a presença de automações. Um relatório anterior da DEXTools analisou 215 piscinas recém-criadas na Pump.fun e classificou 24% delas com padrões de disparos de robôs — definidos como pelo menos 20 transações em um intervalo de 15 minutos. Na amostragem geral, 30% dos tokens não registraram nenhuma troca.

Especialistas e operadores ativos nas redes sociais destacam que o mercado enfrenta uma sobreoferta de moedas sem incentivos reais de permanência. Enquanto criadores buscam liquidez imediata, compradores tentam lucros rápidos, desgastando o apelo coletivo que impulsionava projetos desse nicho.

Apesar da volatilidade extrema e do ritmo acelerado de descartes nos geradores de ativos, o setor de memecoins movimentou cerca de US$ 29,9 bilhões no mercado global em meados de outubro, puxado por projetos consolidados como Dogecoin (US$ 12,4 bilhões) e Pepe (US$ 1,6 bilhão).

Compartilhe esta notícia
Luíza Nunes
Escrito por

Luíza Nunes