O mercado de criptomoedas pode estar testemunhando uma mudança de comportamento sutil. A gestora de fundos de índice Bitwise revelou que os tokens de DeFi mostraram uma resiliência incomum e superaram o Bitcoin ao longo do último mês.
Enquanto o Bitcoin (BTC) despencou cerca de 22% em junho, o índice da Bitwise que monitora os principais tokens de DeFi recuou apenas 4% no mesmo período.
De acordo com o relatório da gestora publicado na quinta-feira, “DeFi geralmente oscila muito mais do que o Bitcoin, então manter-se tão bem é incomum, e quase ninguém está falando sobre isso”.
O que impulsiona os tokens de DeFi no cenário atual?
Historicamente conhecidos pela alta volatilidade, os tokens de DeFi costumam ser os primeiros ativos liquidados por investidores avessos ao risco. Contudo, a Bitwise aponta que a entrada de instituições tradicionais começou a estabilizar o ecossistema.
“Acreditamos que as finanças descentralizadas estão passando por uma reavaliação silenciosa”, afirmou a Bitwise. A empresa destacou a melhora na economia dos ativos, o avanço de plataformas como Morpho e Jupiter, e o fato de a Aave ter gerado cerca de US$ 900 milhões no último ano.
A performance do fundo da Bitwise foi fortemente impulsionada pela Hyperliquid (HYPE), que representa 61% do índice e acumula alta superior a 160% no ano. Outros ativos do fundo, como Uniswap (UNI), Ondo (ONDO) e Aave (AAVE), registram quedas de dois dígitos em 2026.
Apesar do fôlego recente, o Valor Total Bloqueado (TVL) em DeFi caiu quase 40% até junho, recuando de US$ 115 bilhões em janeiro para pouco mais de US$ 70 bilhões, segundo a CryptoRank. A retração veio após a forte correção de outubro, quando o Bitcoin atingiu a máxima histórica acima de US$ 126.000.
Para os próximos meses, a gestora projeta o anúncio de novos projetos de stablecoins por grandes empresas devido à lei americana GENIUS Act, que entra em vigor em janeiro de 2027.
O mercado também monitora o projeto de lei CLARITY Act no Senado americano. Se aprovado, pode marcar o fim do ciclo de baixa; caso falhe, trará volatilidade inicial antes que o cenário regulatório se defina sob o comando da SEC e CFTC.



