O ecossistema de criptomoedas está testemunhando uma expansão massiva na tokenização de RWA (ativos do mundo real), com o valor total emitido em rede se aproximando rapidamente da marca de US$ 30 bilhões. No entanto, a maior parte desse montante expressivo ainda permanece isolada das engrenagens das finanças descentralizadas (DeFi).
Dados da plataforma DefiLlama revelam que apenas US$ 2,47 bilhões desses ativos tokenizados estão realmente ativos em protocolos abertos de finanças. Essa disparidade de cerca de 9% evidencia barreiras regulatórias e operacionais rígidas que impedem que títulos digitalizados circulem livremente em mercados descentralizados.
Os fundos de títulos públicos e do mercado monetário lideram o setor, acumulando mais de US$ 16,6 bilhões em formato digital, mas registram meros US$ 920 milhões em valor total bloqueado (TVL) no ecossistema DeFi. No segmento de commodities, a tokenização de RWA ligada ao ouro alcançou US$ 5,7 bilhões em rede, mas somente US$ 183,6 milhões chegam ao ecossistema descentralizado, uma vez que as negociações à vista ocorrem majoritariamente em corretoras centralizadas.
Tokenização de ativos: por que o mercado financeiro está migrando para a blockchain
O dilema da conformidade da tokenização de RWA e as duas vertentes do setor
A arquitetura restritiva imposta por grandes emissores institucionalizados explica essa liquidez contida no ambiente DeFi. O fundo BUIDL, da BlackRock, por exemplo, conta com apenas US$ 18,9 milhões em TVL ativo em protocolos descentralizados. Um relatório da IOSCO apontou que a estrutura funciona sob regras estritas de custódia e negociação secundária, voltadas exclusivamente para investidores qualificados autorizados.
Restrições de conformidade, como processos obrigatórios de identificação (KYC), limites de acesso para investidores de alta renda e janelas rígidas de resgate baseadas no valor patrimonial líquido (NAV), travam a integração em pools abertos de liquidez. Lidar com exigências legais entre diferentes jurisdições continua sendo o maior entrave para expandir a tokenização de RWA em mercados sem permissão.
Por outro lado, iniciativas desenhadas para a circulação livre mostram que o cenário pode mudar através da interoperabilidade. O USDY da Ondo superou US$ 1 bilhão em TVL operando em nove blockchains diferentes, enquanto protocolos de empréstimo como Morpho e Aave Horizon já somam, juntos, mais de US$ 1 bilhão em depósitos de ativos reais. Especialistas apontam que o setor caminha para uma divisão clara entre estruturas focadas apenas em propriedade restrita e designs voltados para a utilidade financeira secundária.
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