
A próxima semana promete ser agitada no mercado cripto, com três grandes empresas do mercado divulgando seus resultados financeiros do terceiro trimestre. O desempenho da Robinhood, da Coinbase e da Strategy entra no foco dos investidores na chamada temporada de balanços, em um momento em que as cotações das ações e os balanços corporativos nem sempre têm caminhado na mesma direção.
A Robinhood dá o pontapé inicial na terça-feira, 27 de outubro, com a divulgação prevista para após o fechamento dos mercados. Segundo dados da ChartRow, analistas projetam um lucro por ação (EPS) de US$ 0,56, abaixo dos US$ 0,61 registrados no mesmo período do ano passado. Por outro lado, a receita estimada pela Hudson Labs indica uma alta anual de 16%, atingindo US$ 1,41 bilhão.
O trimestre marca a estreia dos números da Robinhood Chain, blockchain voltada para ativos tokenizados que foi lançada em 1º de julho. Estimativas da ARK Invest apontam que a rede gerou cerca de US$ 51 milhões em receita no período, superando os aproximadamente US$ 41 milhões apurados pela rede Ethereum.
Mesmo com histórico de superar estimativas de lucro em cinco dos últimos seis trimestres, os papéis da companhia recuaram após cada uma dessas divulgações. Em 2026, as ações da empresa acumulam queda próxima a 16%.
Na quinta-feira, 29 de outubro, será a vez da Coinbase apresentar seu relatório financeiro, também após o encerramento do pregão. Diferente da concorrente, a plataforma chega à divulgação com projeção de prejuízo. A ChartRow indica uma expectativa de perda de US$ 0,18 por ação, ante o lucro de US$ 1,44 do terceiro trimestre do ano anterior.
A estimativa de receita compilada pela MarketBeat é de US$ 1,20 bilhão, representando um recuo de cerca de 36% em relação aos US$ 1,87 bilhão reportados um ano antes.
Se a projeção de prejuízo ajustado se confirmar, a Coinbase registrará o terceiro trimestre seguido no vermelho em 2026. A empresa também ficou abaixo das projeções de lucro nos últimos três relatórios.
Apesar disso, o comportamento das ações nem sempre seguiu os resultados negativos: os papéis subiram 16,5% após não atingirem as metas em fevereiro e avançaram 4,2% após a frustração de maio. No ano, a ação acumula desvalorização de cerca de 27%.
O peso do Bitcoin nos resultados da Strategy
No mesmo dia da Coinbase, a Strategy divulga seus números e realiza uma conferência com investidores às 17h no horário da Costa Leste dos EUA. As projeções recolhidas pela ChartRow junto a três analistas apontam para um lucro por ação de US$ 21,50, frente aos US$ 8,42 registrados no ano passado. Contudo, a maior fatia do resultado já é conhecida do público.
Em documento protocolado em 5 de outubro, a empresa informou ter apurado um ganho estimado de US$ 20,91 bilhões com suas reservas de Bitcoin no trimestre. Ao término de setembro, a companhia mantinha 847.666 BTC em caixa, adquiridos a um preço médio aproximado de US$ 75.437 por unidade.
Como a Strategy atualiza a marcação a mercado de seus Bitcoins trimestralmente, suas demonstrações contábeis sobem ou descem no ritmo da criptomoeda.
Para além dos números de lucro, os investidores acompanham desdobramentos corporativos recentes da Strategy. No dia 19 de outubro, o conselho de administração aprovou a ampliação da autorização para recompra de ações preferenciais de US$ 2 bilhões para US$ 3 bilhões.
Adicionalmente, em 15 de outubro, a MSCI estabeleceu novas diretrizes voltadas para companhias que atuam com perfil semelhante ao de veículos de investimento, o que pode impactar a permanência da empresa em determinados índices. As ações da Strategy acumulam queda de 3,9% em 2026, a menor retração entre as três companhias listadas.







