As stablecoins estão avançando rapidamente para o centro do sistema financeiro global. Nas últimas semanas, empresas de tecnologia, bancos e gigantes de pagamentos anunciaram novos movimentos que mostram uma mudança importante: a disputa agora é sobre a distribuição e acesso aos usuários.
A Meta começou a estruturar a integração de stablecoins no Facebook, Instagram e WhatsApp por meio da Stripe. Ao mesmo tempo, a Sony trabalha em uma stablecoin em dólar para uso na PlayStation Store, Crunchyroll e outros serviços digitais da companhia. Já a Visa ampliou suas operações com liquidação via stablecoins e reportou US$ 7 bilhões em volume anualizado.
O movimento acontece enquanto bancos europeus e instituições americanas aceleram seus próprios projetos de moedas digitais. O cenário reforça uma percepção cada vez mais clara no mercado: stablecoins deixaram de ser apenas um experimento do setor cripto e começaram a entrar na infraestrutura financeira tradicional.
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Bancos e gigantes de pagamentos aceleram adoção de stablecoins
O foco inicial da Meta seriam pagamentos internacionais para criadores de conteúdo, especialmente transferências menores que hoje dependem de wire transfer e conversão cambial. A diferença agora é a escala potencial: a Meta reúne mais de 3 bilhões de usuários em suas plataformas.
A Sony segue um caminho parecido: a empresa trabalha em um dólar digital via Bastion para pagamentos em seus serviços de entretenimento, incluindo a PlayStation Network. O objetivo é reduzir custos com taxas de cartões e acelerar liquidações financeiras dentro do ecossistema da companhia.
Na Europa, doze grandes bancos formaram o consórcio Qivalis com a provedora Fireblocks para desenvolver uma stablecoin em euro dentro das regras do MiCA, marco regulatório europeu para ativos digitais. Entre os participantes estão BBVA, BNP Paribas, ING e UniCredit, que vem tentando equilibrar o mercado e combater o atual monopólio do dólar digital, já que hoje, a maior parte das stablecoins globais é lastreada na moeda americana, enquanto projetos em euro ainda representam uma parcela pequena do setor.
Nos Estados Unidos, a Anchorage Digital afirmou que cerca de vinte instituições financeiras e empresas de tecnologia estão se preparando para lançar suas próprias stablecoins. A Western Union já iniciou operações com o USDPT na rede Solana para liquidações internacionais 24 horas por dia.
Os números recentes mostram como a adoção institucional acelerou. Segundo dados divulgados pela Fireblocks no relatório State of Stablecoins, quase metade das instituições financeiras já utiliza stablecoins ativamente em pagamentos, com a principal vantagem citada sendo a velocidade nas liquidações internacionais, enquanto 90% estão agindo de alguma forma, e 54% que ainda não usam, planejam adotar nos próximos seis a doze meses. Bancos tradicionais lideram em uso para pagamentos cross-border, com 58% de adoção.
Outro dado que chamou atenção veio da Juniper Research, a consultoria projeta que pagamentos corporativos internacionais usando stablecoins podem alcançar US$ 5 trilhões até 2035.
Enquanto isso, o debate regulatório continua intenso nos Estados Unidos. O Senado americano avançou nas discussões do CLARITY Act, projeto que pretende definir regras para classificação e supervisão de ativos digitais no país.
Mesmo sem uma definição regulatória completa, o mercado segue avançando, um exemplo recente foi a atuação do Tether em coordenação com autoridades americanas no congelamento US$ 344 milhões ligados ao Irã para cumprir sanções internacionais.
O cenário reforça uma mudança importante: empresas de tecnologia, bancos e redes globais de pagamentos começaram a construir a próxima camada da infraestrutura financeira digital usando stablecoins como base operacional.
Para empresas que dependem de pagamentos internacionais, o impacto pode ser direto. Liquidações que antes levavam dias começam a migrar para operações concluídas em minutos, reduzindo custos e aumentando eficiência.
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