O mercado de stablecoins acaba de cruzar uma fronteira histórica, saltando da faixa dos US$ 100 bilhões para mais de US$ 300 bilhões em apenas um ano. Esse crescimento ganhou tração com a retomada do setor de criptomoedas ao longo de 2025.
No início de 2025, o fornecimento global estava um pouco acima de US$ 200 bilhões, avançando para o começo de 2026, esse volume já se estabilizou na zona estrondosa de US$ 317 bilhões a US$ 320 bilhões. Isso prova que esses ativos deixaram de ser um nicho e viraram peças centrais do sistema financeiro global.
Um dos principais motores dessa alta foi a necessidade de liquidez, o mercado de stablecoins voltou a ser a ponte favorita dos traders para movimentar dinheiro quase instantaneamente entre corretoras e aplicativos de finanças descentralizadas (DeFi), sem depender de bancos tradicionais lentos.
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Stablecoins: regulação, fronteiras e o novo dinheiro global
Com a volta da volatilidade e do alto volume de negociações, moedas pareadas ao dólar se tornaram o refúgio perfeito: quanto mais o dinheiro circulava nesses ativos digitais, mais fácil ficava operar no mercado, criando um ciclo de alta demanda sem precedentes.
Além da euforia dos traders, o mercado de stablecoins ganhou um selo de confiança vital: regras mais claras. Com a lei MiCA na União Europeia e avanços regulatórios nos Estados Unidos, Singapura e Japão, grandes instituições finalmente se sentiram seguras para entrar no jogo.
Fora dos gráficos de trade, o uso em pagamentos internacionais explodiu. Remessas convencionais são caras e demoradas, enquanto as stablecoins oferecem transferências rápidas e baratas. Em países que sofrem com moedas fracas, a população já usa esses tokens como uma “poupança digital” para proteger o poder de compra.
O cenário geopolítico também entrou no radar, a Rússia, por exemplo, proibiu criptomoedas no dia a dia, mas liberou o uso de ativos digitais em liquidações de comércio internacional.
Enquanto isso, duas gigantes ditam as regras do mercado de stablecoins: a USDT, dominando a liquidez offshore e o volume global, e a USDC, focada na conformidade com o sistema bancário tradicional. Ambas cresceram tanto que já figuram entre os grandes compradores de títulos do Tesouro dos EUA.
Apesar do otimismo, especialistas pedem cautela ao ler esses bilhões já que grande parte das transações diárias vem de robôs de arbitragem e movimentações internas de exchanges, não de pessoas pagando contas. Além disso, o setor ainda precisa lidar com velhos fantasmas: a falta de transparência nas reservas e o risco de concentração nas mãos de poucas empresas.
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