O rublo digital acaba de alcançar a marca de 87 mil novas contas abertas em apenas dez dias após o seu lançamento nacional, ocorrido no dia 1º de setembro. Segundo o Banco da Rússia, o sistema já processou mais de 50 mil transações no período, gerando uma média de 8.700 registros por dia.
Apesar do volume expressivo inicial, a governadora do Banco Central russo, Elvira Nabiullina, adota um tom realista. Ela afirma que muitos usuários estão apenas testando o serviço neste primeiro momento, e que o número reflete mais a curiosidade do público do que um uso diário e consolidado na economia.
É fundamental entender que o rublo digital não é uma criptomoeda descentralizada como o Bitcoin. Trata-se de uma CBDC emitida e controlada diretamente pelo Banco Central. Uma unidade digital possui o mesmo valor de um rublo físico, servindo como uma extensão do dinheiro oficial do país.
Para o cidadão comum, a adoção é totalmente voluntária. O usuário acessa a plataforma por meio do aplicativo do seu banco, com um limite de depósito fixado em 300 mil rublos mensais. O regulador afirma que falhas pontuais de acesso já foram resolvidas e trabalha agora para reduzir a quantidade de cliques necessários para os pagamentos.
Adoção obrigatória para bancos e o futuro do rublo digital
Enquanto a população decide se vai adotar a plataforma, as grandes instituições financeiras não têm essa opção. Os principais bancos russos e empresas com faturamento anual superior a 120 milhões de rublos já são obrigados a aceitar pagamentos com a nova moeda.
As regras determinam ainda que os bancos com licença universal deverão integrar a tecnologia até setembro de 2027. O objetivo do Banco da Rússia é que o restante de todo o sistema financeiro esteja operando de forma integrada até o final de 2028.
Paralelamente ao avanço estatal, Moscou também constrói pontes com o setor cripto privado. Após uma nova lei assinada por Vladimir Putin em agosto, ativos como Bitcoin, Ether e USDT ganharam um marco regulatório próprio para negociação.
Instituições como o Sberbank já estudam utilizar essas criptomoedas como garantia para a concessão de empréstimos. Isso evidencia uma estratégia dupla do governo: controle total sobre sua moeda oficial e permissão vigiada para o trânsito do mercado cripto internacional.




