O Banco Central russo deu o primeiro passo oficial para permitir que investidores comuns negociem ativos digitais. A nova diretriz estabelece como a Rússia libera criptomoedas no varejo através de corretoras, exchanges e gestores autorizados.
As regras para a entrada desse público, no entanto, são rígidas. Foi estabelecido um teto de compras para investidores não qualificados, limitando as operações a 300 mil rublos anuais por intermediário financeiro.
Além do limite financeiro, a lista de ativos permitidos é bastante seletiva. Apenas três opções receberam aprovação para negociação pública: Bitcoin, Ethereum e a stablecoin USDT.
Enquanto a Rússia libera criptomoedas, por que a XRP ficou de fora?
Segundo a autoridade monetária, essa seleção rigorosa baseia-se em critérios de liquidez e tempo de mercado. A nova lei federal exige que as moedas comprovem um alto volume médio diário, valor de mercado expressivo e pelo menos cinco anos de histórico de preços em plataformas estrangeiras.
O banco central declarou em nota que a medida visa proteger investidores iniciantes de flutuações bruscas, garantindo que apenas os ativos com maior liquidez global estejam disponíveis para compra.
Apesar de ser uma das moedas mais antigas do mercado e atender aos requisitos técnicos de capitalização, a XRP não entrou na lista inicial de aprovação. O token foi criado pelos fundadores da Ripple em 2012 e possui forte presença global.
O fator decisivo para a exclusão parece estar ligado ao histórico regulatório do ativo. A XRP enfrentou uma longa disputa judicial contra a SEC nos Estados Unidos, o que resultou em deslistagens temporárias em várias corretoras e afetou sua avaliação de risco perante os reguladores russos.
Em contrapartida, investidores qualificados de alto patrimônio não enfrentarão os mesmos obstáculos institucionais. Esse grupo poderá adquirir qualquer ativo digital negociado nos mercados de balcão e nas exchanges, sem restrição de valores ou moedas.
Independentemente do patrimônio ou status, há uma exigência unificada: antes de realizar a primeira operação, todos os usuários precisarão passar por um teste obrigatório para comprovar o entendimento dos riscos associados ao mercado digital.
A diretiva final do Banco Central aceitará comentários públicos até 24 de agosto e entrará em vigor oficialmente 10 dias após a sua publicação, assinada pela presidente da instituição, Elvira Nabiullina.




