O mercado de criptomoedas acaba de registrar um marco inédito. De acordo com dados on-chain, a relação Bitcoin e ouro atingiu o nível mais sobrevendido de toda a sua história, apontando para um esgotamento da força vendedora do ativo digital.
Esse indicador monitora quantas onças de ouro são necessárias para comprar um único Bitcoin. O cenário atual mostra que a criptomoeda está operando com um desconto extremo em comparação ao metal precioso, sinalizando uma distorção de preços.
Tecnicamente, o oscilador dessa métrica recuou para -1,81 desvios padrão da sua tendência de longo prazo. O movimento posiciona o indicador bem abaixo da sua média conservadora de quatro anos, estabelecendo a leitura mais profunda observada desde 2010.
Atualmente, o Bitcoin é negociado abaixo da sua tendência de lei de potência e de sua média de quatro anos de forma simultânea. Pelos parâmetros do modelo, o valor justo estrutural sugerido para a criptomoeda estaria posicionado próximo de US$ 283.000.
A disparidade atual reflete o momento macroeconômico global. Enquanto o ouro se valorizou impulsionado por sua função tradicional de proteção contra incertezas, a volatilidade recente empurrou a relação Bitcoin e ouro para a mínima histórica deste ano.
O histórico da relação Bitcoin e ouro antecipa grandes ciclos de alta?
Momentos semelhantes de sobrevenda extrema serviram como grandes zonas de oportunidade no passado. Padrões idênticos ocorreram nos mercados de baixa de 2015 e 2018-19, na crise do coronavírus em 2020 e logo após o colapso da exchange FTX em 2022.
Na última vez em que essa configuração gráfica se consolidou por completo, o mercado testemunhou um rali macroeconômico plurianual que gerou uma valorização superior a 660% para o ativo digital, à medida que o capital migrou de volta para as criptomoedas.
Estatísticas da Delphi Digital dão suporte ao movimento. Recuos acentuados na relação Bitcoin e ouro, na casa de -62%, historicamente antecederam fortes recuperações, com os rebotes mais expressivos vindo justamente das quedas mais profundas.
Analistas comparam o comportamento técnico atual a uma mola pressionada, embora ressaltem que retornos passados não são garantia de ganhos futuros. A reversão tende a ganhar força caso ocorram melhorias na liquidez global ou mudanças nas políticas monetárias.




