Impacto do conflito geopolítico e fim de cessar-fogo com o Irã ditam o ritmo de resiliência do Bitcoin e pressionam o ecossistema Ethereum

Impacto do conflito geopolítico e fim de cessar-fogo com o Irã ditam o ritmo de resiliência do Bitcoin e pressionam o ecossistema Ethereum

O recente anúncio do fim do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã gerou novas movimentações financeiras mundiais. Para os investidores, entender o impacto do conflito nas criptomoedas tornou-se essencial à medida que a volatilidade retorna aos gráficos de preço.

No dia 8 de julho de 2026, o presidente dos Estados unidos, Donald Trump, declarou o fim da trégua durante a cúpula da OTAN em Ancara, Turquia. Logo após a fala, o petróleo disparou e os ativos digitais oscilaram, mas sem registrar as quedas severas vistas no início do confronto histórico.

O Bitcoin vem demonstrando um comportamento resiliente neste cenário macroeconômico. Em junho de 2025, após ataques israelenses a usinas iranianas, o ativo recuou quase 4%, caindo de 107 mil para 103 mil dólares. Já em 8 de junho de 2026, a moeda caiu cerca de 2%, partindo de 63.700 dólares, mas recuperou-se logo na sequência, mostrando como o ativo absorve o impacto do conflito de curto prazo.

O papel do Ethereum e o impacto do conflito nas criptomoedas

O governo iraniano não possui reservas oficiais em Bitcoin, mas começou a aceitar a criptomoeda para o pagamento de taxas de trânsito no Estreito de Ormuz em março de 2026. Mesmo com o acordo de 17 de junho pausando os pedágios por 60 dias, taxas de serviço alternativas continuaram ativas, podendo gerar até 7,7 bilhões de dólares anuais em demanda pela moeda.

Enquanto o Bitcoin resiste, o impacto do conflito nas criptomoedas de contratos inteligentes, como o Ethereum, costuma ser mais severo. O Ether desvalorizou cerca de 7% tanto nos ataques de junho de 2025 quanto na primeira fase dos combates em 2026, mostrando-se vulnerável às pressões inflacionárias.

Segundo Tom Lee, cofundador da Fundstrat, o recuo acentuado do Ether ocorre devido à sua correlação inversa com o petróleo. A alta da commodity pressiona a inflação global, levando o Federal Reserve a subir os juros, o que prejudica diretamente ativos sensíveis a taxas macroeconômicas.

Já redes como Tron e BNB possuem exposição direta às movimentações do Irã. A corretora local Nobitex movimentou mais de 2 bilhões de dólares em stablecoins via Tron e 317 milhões de dólares pela rede da Binance desde 2023. No dia 2 de junho, o Tesouro dos EUA sancionou a Nobitex, elevando o risco de ciberataques como o de junho de 2025, que drenou 90 milhões de dólares e fez a Tron cair 6,5%.

O uso de stablecoins cresce no país em períodos de sanções e bloqueios de internet, como visto entre fevereiro e abril de 2026. Contudo, analistas apontam que moedas como Tron e BNB enfrentam riscos regulatórios e operacionais elevados, enquanto o Bitcoin segue atrativo para acumulação de longo prazo diante do real impacto do conflito nas criptomoedas.