O Reino Unido anunciou sanções contra três corretoras de criptomoedas como parte de um pacote com 38 novas designações voltadas a redes suspeitas de ajudar a Rússia a contornar restrições financeiras impostas pelo Ocidente.

Entre os alvos estão a canadense Xeltox Enterprises, responsável pelas plataformas Cryptomus, Heleket e Certa Payments, e a exchange TokenSpot, sediada no Quirguistão. As medidas também atingem as plataformas de pagamento Processing KG, operadora do VexPay, e Tsunami Payments, além de Ulan Bukabaev, diretor da Processing KG.

Segundo o governo britânico, duas das empresas sancionadas processaram ou facilitaram transações envolvendo a A7, rede apoiada pelo Kremlin que opera a stablecoin A7A5, atrelada ao rublo russo. O ativo é apontado pelas autoridades como um instrumento para contornar sanções ao setor financeiro da Rússia.

De acordo com o comunicado britânico, a própria A7 afirmou ter movimentado mais de US$ 90 bilhões no ano passado.

Sanções a corretoras de criptomoedas ampliam pressão sobre a rede A7

A nova rodada amplia o escrutínio sobre empresas associadas à infraestrutura financeira ligada à A7A5. Em maio, o Reino Unido já havia sancionado outras corretoras de criptomoedas, incluindo Huobi e HTX, sob a acusação de facilitar a evasão de sanções russas.

As autoridades britânicas também haviam adotado medidas contra Grinex e Garantex. Posteriormente, os Estados Unidos sancionaram empresas e executivos ligados à stablecoin A7A5 e às exchanges envolvidas. Empresas de análise de dados em blockchain, porém, contestaram a dimensão atribuída às atividades do token.

As consequências das novas sanções incluem o congelamento de ativos das entidades designadas que estejam no Reino Unido. Instituições financeiras britânicas também ficam proibidas de processar pagamentos destinados a, originados de ou realizados por meio de várias das empresas atingidas.

O pacote não se limita ao mercado cripto. As medidas incluem ainda as produtoras russas de petróleo Zaribezjmeft e INK Capital, 12 navios associados à chamada frota paralela russa e fornecedores de máquinas, componentes eletrônicos e outros bens que, segundo o governo britânico, são utilizados na produção de mísseis e drones da Rússia.

A pressão também se estende à União Europeia. Em julho, o bloco adotou seu 21º pacote de sanções contra a Rússia, que incluiu 14 empresas de criptomoedas e quatro designações relacionadas à rede transfronteiriça A7.

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Luíza Nunes
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