O mercado de criptomoedas no Brasil atingiu um patamar inédito no primeiro semestre de 2026. Segundo os dados mais recentes da Receita Federal, o setor movimentou R$ 283,1 bilhões, registrando o maior resultado para os primeiros seis meses de um ano desde o início dos registros em 2019.
Esse volume financeiro aponta um crescimento de 21,3% em relação ao mesmo período de 2025. O ritmo das operações ganhou força no final do semestre, com os meses de maio e junho concentrando mais de 40% do volume total, somando cerca de R$ 115 bilhões negociados apenas neste bimestre.
As corretoras nacionais permanecem como o canal favorito dos investidores, respondendo por 62,8% do total e movimentando R$ 177,6 bilhões. Contudo, o avanço mais rápido ocorreu nas operações sem intermediação de exchanges, que movimentaram R$ 65,7 bilhões e cresceram cerca de 50% em um ano.
Por que as stablecoins dominam as transações de criptomoedas no Brasil
Os números revelam uma mudança clara no perfil do mercado de criptomoedas no Brasil. A maior parte do capital não está focada em moedas voláteis, mas sim em stablecoins, ativos digitais que mantêm paridade com moedas fiduciárias tradicionais, como o dólar.
O USDT, emitido pela Tether, liderou as negociações com folga, registrando R$ 199,5 bilhões. Na segunda posição está o USDC, da Circle, com R$ 38,3 bilhões. Juntas, essas duas moedas estáveis representaram aproximadamente 91% do volume de compra e venda dos principais ativos listados no relatório da Receita.
O Bitcoin, que mantém o título de maior ativo do mundo em valor de mercado, ocupou apenas o terceiro lugar no país, movimentando R$ 13,2 bilhões entre janeiro e junho. O ranking nacional segue com o Ethereum, BRZ, Solana e XRP, todos com volumes substancialmente menores que as líderes atreladas ao dólar.
A base de usuários ativos também impressiona pela consistência. Durante todos os meses do semestre, mais de 4 milhões de CPFs únicos foram registrados nas declarações. O mês de abril marcou o pico de adoção entre pessoas físicas, contabilizando 5,08 milhões de investidores ativos.
Na prática, esses dados comprovam que os usuários locais utilizam criptoativos de forma muito mais estrutural. O foco mudou de apostas direcionais para o uso prático de ativos pareados ao dólar, visando proteção cambial, liquidez imediata e pagamentos corporativos.


