O peso da nova governança do Banco Central que fez a demanda por criptoativos encolher 58%

O peso da nova governança do Banco Central que fez a demanda por criptoativos encolher 58%

O volume financeiro direcionado ao mercado cripto no Brasil sofreu uma forte retração no último mês. Dados divulgados pelo Banco Central mostram que a demanda por criptoativos caiu 58,4% em julho, registrando US$ 572 milhões em investimentos.

O número representa um recuo significativo quando comparado ao mesmo período do ano passado, que contabilizou US$ 1,373 bilhão. A diferença é ainda mais expressiva em relação a junho, quando os aportes chegaram a US$ 2,6 bilhões — uma queda de quase 80% no fluxo em apenas um mês.

O levantamento estatístico da autarquia capta operações de câmbio envolvendo ativos digitais que possuem um emissor identificado. Para o Banco Central, a principal razão para essa contração rápida é o aumento das exigências institucionais, especialmente nas áreas de governança e prevenção à lavagem de dinheiro.

Segundo o chefe do departamento de estatística do BC, Fernando Rocha, a redução das transações “reflete um momento de reorganização desse mercado de ativos virtuais no contexto de intensificação da regulação e da supervisão de conduta do Banco Central sobre esse setor”.

Como a regulação afeta o futuro da demanda por criptoativos

Rocha destacou que a adequação regulatória é determinante para a mudança nos fluxos de capital. “É um fator importante por trás da redução dos fluxos que a gente observou no balanço de pagamentos, e teremos que ver, nos demais meses, como essa rubrica de transações vai se desempenhar”, afirmou.

A partir de 1º de janeiro de 2027, as exchanges e prestadoras de serviços de ativos virtuais (SPSAV) deverão se enquadrar nas mesmas regras aplicadas às instituições do sistema financeiro nacional. As plataformas terão uma transição gradual até meados de 2028 para aplicar as políticas de divulgação, gestão de riscos e capital.

Apesar da retração pontual no mês, o cenário macro mostra que a demanda por criptoativos continua aquecida no país. O acumulado de janeiro a julho soma US$ 15,25 bilhões em aportes, um crescimento de 100,4% que representa o dobro do volume registrado no mesmo período do ano anterior.