O preço do Bitcoin mostrou estabilidade nesta quinta-feira, sustentando-se acima do patamar de US$ 62.000. O movimento ocorre em meio a uma nova escalada nas tensões entre Estados Unidos e Irã, que mexeu com os mercados globais.
Enquanto as forças militares norte-americanas realizaram novos ataques e o risco de fechamento do Estreito de Ormuz aumentou, o petróleo Brent subiu 1%, cotado a US$ 78,80. Já o ouro recuou pelo quarto dia consecutivo, negociado próximo de US$ 4.060 a onça.
Nesse cenário, a maior criptomoeda do mercado registrou uma leve queda diária de 1,2%, cotada a US$ 62.100, mas acumula alta de 1,6% na semana. O Ether acompanhou a variação diária negativa, operando a US$ 1.730, com ganho semanal de 5,7%.
Entre outras altcoins, a Solana caiu 1,8% no dia, cotada a US$ 77,25, e o XRP recuou 0,7%, para US$ 1,09. Por outro lado, a TRON subiu 4% em sete dias, e o token HYPE, da Hyperliquid, avançou 5,9% na semana, desconsiderando a baixa diária de 1,2%.
Como as taxas de juros americanas afetam o preço do Bitcoin
A instabilidade geopolítica intensificou os temores inflacionários, alterando as projeções de juros. Os mercados financeiros anteciparam a aposta do próximo aumento de juros do Federal Reserve de dezembro para outubro, pressionando os títulos públicos globais.
A perspectiva de juros elevados penalizou o ouro, que perde atratividade diante de títulos que pagam mais rendimento. Teoricamente, essa dinâmica macroeconômica também deveria impactar o preço do Bitcoin, o que acabou não acontecendo.
Analistas apontam que o mercado cripto passou a reagir a esse conflito como um evento de taxas de juros, e não como um risco puramente geopolítico. Com isso, o ativo replica mais o comportamento dos títulos de curto prazo do que as oscilações do petróleo.
O sentimento geral indica menor pânico. O Índice de Medo e Ganância (Fear and Greed) subiu para 27 pontos, deixando a zona de medo extremo após 40 dias seguidos, embora o indicador permaneça abaixo de 50 pontos desde novembro.
Agora, investidores monitoram o suporte crucial de US$ 60.000. Se o preço do Bitcoin mantiver essa faixa diante de novos conflitos, consolida-se sua reprecificação como um ativo sensível aos juros macroeconômicos, e não um hedge tradicional.




