O preço do Bitcoin registrou uma retração nesta sexta-feira (26), quebrando a barreira psicológica dos US$ 60 mil. A criptomoeda chegou a tocar a marca de US$ 58 mil na madrugada, acompanhando a forte desvalorização das bolsas de valores asiáticas.
Nas últimas 24 horas, o preço do Bitcoin acumulou uma desvalorização de 3%, cotado na faixa de US$ 59.381. Enquanto isso, o Ethereum encolheu 5,4% para US$ 1.547, o XRP perdeu 4,5%, a Solana subiu ligeiros 0,7% e o BNB permaneceu estável.
Stablecoins de moedas locais desafiam o domínio do dólar com avanço do câmbio on-chain
O que esperar para o preço do Bitcoin nos próximos dias?
O recuo aconteceu em paralelo ao tombo dos índices acionários na Ásia, onde o Kospi da Coreia do Sul despencou quase 6% e ativou o mecanismo de interrupção de negócios (circuit breaker) pela segunda vez na semana. No Japão, o Nikkei perdeu 4,9%, o índice Hang Seng de Hong Kong recuou 2,3% e os contratos futuros de Wall Street também amanheceram em baixa.
Min Jung, pesquisador associado da Presto Research, apontou que “o Bitcoin está sendo negociado em sincronia com o mercado de ações, sofrendo pressão durante o pregão asiático à medida que ativos de risco mais amplos enfrentavam uma onda de vendas.”
Para Jeff Ko, analista-chefe da CoinEx, o ponto crítico agora é avaliar a capacidade de recuperação rápida do preço do Bitcoin. Segundo o analista, “se os US$ 60.000 se transformarem em uma resistência, é provável que os traders foquem na zona de suporte estrutural entre US$ 54.000 e US$ 56.000”.
Outro obstáculo para a sustentação do preço do Bitcoin foi a retirada massiva de capital dos fundos integrados. Os ETFs de Bitcoin à vista nos EUA registraram saídas líquidas de US$ 696,3 milhões na quinta-feira, configurando o pior resultado diário desde 27 de maio e estendendo a sequência de saídas para seis dias consecutivos, conforme a SoSoValue. Dominick John, analista da Zeus Research, destacou que o foco do mercado segue nos fluxos dos fundos, derivativos e no relatório de pedidos de auxílio-desemprego dos EUA de 2 de julho.
No front macroeconômico, o índice de inflação PCE dos Estados Unidos subiu 4,1% no acumulado anual de maio, com o núcleo avançando 3,4%. Esse cenário mantém em aberto a possibilidade de que o Federal Reserve possa elevar a taxa de juros básica americana ainda este ano.
Para completar, o encerramento de contratos de derivativos adiciona volatilidade ao pregão. André Franco, CEO da Boost Research, lembrou o vencimento de US$ 10,6 bilhões em opções na Deribit hoje, explicando que “com o ‘max pain’ em US$ 72 mil e 80% dos contratos fora do dinheiro, o vencimento tende a amplificar a volatilidade”. Paralelamente, as ações preferenciais STRC da Strategy desabaram até 26% abaixo de seu valor nominal de US$ 100, gerando cautela extra sobre a viabilidade do modelo de negócios da companhia a longo prazo.
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