
A chegada da computação quântica levanta um questionamento crítico: a tecnologia atual de criptografia está com os dias contados? Governos e instituições globais já pararam de esperar pelas respostas e começaram a agir para proteger dados sensíveis.
Na última sexta-feira, a sede da Organização das Nações Unidas (ONU) sediou um painel liderado pelo BeInCrypto sobre os riscos quânticos. O evento ocorreu durante a cúpula da Government Blockchain Association e contou com representantes da ONU, do fisco americano (IRS) e da Mastercard.
A urgência tem um motivo claro, impulsionado pelas recentes determinações da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA). A partir de 2027, novos sistemas comerciais de segurança nacional precisarão suportar algoritmos resistentes à tecnologia quântica. Sistemas antigos e incompatíveis serão desativados até 2030.
O risco imediato é a tática classificada pela NSA como “colher agora, descriptografar depois”. Na prática, invasores cibernéticos já podem roubar dados criptografados hoje, apenas aguardando a chegada de máquinas quânticas mais potentes no futuro para acessar o conteúdo.
Como o sistema da ONU reage à computação quântica
O fundo de pensão da ONU já considera a migração tecnológica uma questão prioritária. Dino Cataldo Dell’Accio, vice-chefe executivo do fundo, explicou que o sistema de prova de vida da entidade opera via blockchain e atende cerca de 80.000 beneficiários distribuídos em 190 países.
Atualmente, a instituição explora ativamente o uso de uma blockchain resistente à computação quântica. O objetivo da equipe é encontrar métodos viáveis para recriptografar e registrar publicamente o histórico de registros de forma segura.
Dell’Accio alertou que a transição corporativa não será um evento simples de atualização de software. Chaves criptográficas seguras contra ameaças quânticas ocupam mais espaço de dados, o que exigirá atualizações completas em firewalls, infraestruturas de hardware e softwares de rede.
O ritmo atual das regulamentações financeiras globais agrava o cenário. Dottie Romo, chefe de risco e controle do IRS, destacou o descompasso entre a tecnologia e as leis. “No momento, estamos revisando as coisas em um ritmo muito tradicional”, afirmou Romo. “Isso não será sustentável.”
Embora o uso escalável da computação quântica ainda pareça distante para o público geral, a corrida tecnológica para proteger a infraestrutura do sistema financeiro já começou.








