Fundo soberano de Abu Dhabi adota a tokenização de ativos com aposta direta da Coinbase

Fundo soberano de Abu Dhabi adota a tokenização de ativos com aposta direta da Coinbase

A Mubadala Capital, vinculada ao fundo soberano de Abu Dhabi e com cerca de US$ 430 bilhões sob gestão, lançou uma versão em blockchain de um dos seus fundos de mercados privados.

Para operacionalizar a tokenização de ativos, a empresa utiliza a infraestrutura da KAIO, especialista no setor com sede nos Emirados Árabes Unidos. O fundo está disponível nas redes Base, Solana e Sui, já somando aproximadamente US$ 75 milhões em ativos emitidos diretamente em rede.

A operação conta ainda com a participação direta da Coinbase (COIN). A corretora norte-americana adicionou exposição ao produto em seu próprio balanço corporativo, marcando um dos primeiros exemplos de uma empresa cripto cotada em bolsa investindo em fundos privados no modelo onchain. O valor do aporte não foi revelado.

O impacto da tokenização de ativos nos fundos privados

Com esse movimento, a Mubadala Capital junta-se a uma lista crescente de grandes instituições financeiras que adotam a tokenização de ativos em suas estruturas. Nomes como BlackRock, Franklin Templeton, Apollo, Fidelity, Janus Henderson e Invesco já lançaram ou expandiram produtos similares, focados em títulos do Tesouro dos EUA, fundos monetários e crédito privado.

O interesse do setor financeiro tradicional reflete estimativas otimistas do mercado. Segundo dados do Citi, o segmento de títulos tokenizados pode alcançar US$ 5,5 trilhões até 2030, enquanto estimativas do Boston Consulting Group e da Ripple indicam que o total acumulado na tokenização de ativos alcance US$ 18,9 trilhões até 2033.

A criação de representações em blockchain para fundos já existentes busca ampliar o acesso a novos perfis de investidores e permitir a utilização dessas cotas como colateral em aplicações financeiras.

A plataforma KAIO, que administra o fundo da Mubadala, informou que já possui US$ 144 milhões em produtos tokenizados, atendendo também firmas como Hamilton Lane, Brevan Howard e Laser Digital.

“Essa estratégia foi construída com base no acesso diferenciado — a fluxo de negócios, co-investimentos e a uma rede global que a maioria dos investidores não consegue alcançar por conta própria,” disse Max Franzetti, chefe da Mubadala Capital Solutions, em comunicado. “Trazê-la para a blockchain estende esse acesso a uma nova classe de investidores qualificados sem comprometer a disciplina institucional que define como investimos.”

Do lado institucional, Brett Tejpaul, chefe da Coinbase Institutional, destacou o papel dos ativos digitais regulados nas reservas empresariais: “À medida que os ativos regulados se tornam programáveis, eles podem fazer parte de uma economia onchain mais ampla, mais transparente, composta e acessível a investidores qualificados em jurisdições elegíveis.”

O lançamento reforça o objetivo dos Emirados Árabes Unidos em se tornar um centro global de finanças digitais. Abu Dhabi e Dubai se consolidam como jurisdições ativas na criação de estruturas regulatórias para criptoativos, atraindo bancos e fundos interessados em emitir fundos, títulos e stablecoins em rede.