O setor de mineração de Bitcoin enfrenta um dos ciclos mais desafiadores de sua história. Com a redução dos subsídios por bloco e a alta volatilidade, a atividade está deixando de ser uma corrida por poder de processamento bruto para se transformar em um negócio focado puramente em infraestrutura e eficiência energética.
Dados recentes apontam que o custo elétrico base para minerar está em US$ 48.694, enquanto o preço realizado da criptomoeda ronda os US$ 54.000. Essa margem estreita pressiona os operadores, especialmente com a aproximação do próximo halving em 2028, que reduzirá a recompensa de 3,125 BTC para 1,5625 BTC.
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O futuro da mineração de Bitcoin e a IA
De acordo com Bradley Peak, chefe global de vendas da VNISH, o mercado exige disciplina extrema. “Em 2026, estamos vendo os mineradores mudarem do ‘hashrate máximo’ para o ‘hashrate máximo lucrativo'”, explicou Peak. Estratégias como ajuste de firmware, contratos de energia flexíveis e controle de carga agora ditam a sobrevivência no setor.
Michael Jerlis, CEO da EMCD, concorda que o modelo antigo faliu. “O modelo de comprar, minerar e vender está praticamente morto”, afirmou Jerlis, destacando que o hashprice próximo a US$ 29 por PH/s ao dia não cobre os custos sem uma eficiência cirúrgica. Softwares customizados ajudam a evitar o desperdício de até 25% da capacidade dos chips.
O cenário atual favorece empresas que possuem controle direto sobre o fornecimento de eletricidade ou contratos de demanda responsiva com as redes elétricas, gerando vantagem competitiva na mineração de Bitcoin. Diante disso, muitas companhias abertas estão dividindo suas operações e se transformando em data centers para inteligência artificial (IA), mantendo a atividade cripto em segundo plano.
Para Fernando Lillo Aranda, CMO da Zoomex, a mineração de Bitcoin se tornará ainda mais industrializada e integrada aos sistemas elétricos globais nos próximos dez anos. A expectativa dos especialistas é que as máquinas passem a compartilhar espaço definitivo com a computação de alto desempenho, tornando a energia o ativo mais valioso do negócio.
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