
Investidores ricos compram criptomoedas em ritmo acelerado, mas parte de seus assessores financeiros ainda considera a classe de ativos arriscada demais. Uma pesquisa da CoinShares com investidores de sete grandes economias mostra que a maioria já possui ativos digitais e muitos pretendem ampliar suas posições em 2026.
O movimento ocorre em meio a condições menos favoráveis para ativos de risco. Enquanto o Bitcoin tenta prolongar sua melhor performance trimestral desde 2017, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano permanecem acima de 5%.
No setor, a corretora OKX ampliou uma rodada de financiamento com avaliação de US$ 25 bilhões, enquanto a Strategy direcionou mais recursos à recompra de ações preferenciais do que à aquisição de Bitcoin na semana passada.
Bitcoin enfrenta concorrência dos títulos americanos
O Bitcoin encerrou o terceiro trimestre com alta de 43%, seu melhor resultado trimestral desde 2017, e acumulou três semanas consecutivas de valorização. Ainda assim, a Delphi Digital avalia que a continuidade da recuperação enfrenta obstáculos, incluindo os rendimentos elevados dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e a decisão do Federal Reserve de elevar os juros em setembro.
A empresa descreveu o cenário da seguinte forma: “the grind higher is happening against real resistance.”
Por outro lado, Vanessa Grellet, da Arche Capital, observou que a chamada estratégia de proteção contra a perda de poder de compra das moedas fiduciárias não depende necessariamente de juros baixos. Essa abordagem favorece ativos escassos, como Bitcoin e ouro, como forma de proteção contra a desvalorização das moedas tradicionais.
As perspectivas para os juros também mudaram após a divulgação de dados mais fracos do mercado de trabalho americano. Os Estados Unidos criaram 29 mil vagas em setembro, abaixo das 80 mil esperadas, reduzindo significativamente as probabilidades de uma nova alta de juros em outubro, segundo o CME FedWatch. John Williams, presidente do Federal Reserve de Nova York, também afirmou que não havia urgência em elevar os juros novamente.
Mesmo assim, os rendimentos elevados dos títulos continuam sendo um obstáculo para ativos de risco. Depois de superar brevemente US$ 87 mil na semana passada, o Bitcoin recuou para menos de US$ 83 mil na quarta-feira.
Investidores ricos compram criptomoedas apesar da cautela dos assessores
A pesquisa da CoinShares ouviu 2.230 investidores com pelo menos US$ 500 mil em ativos disponíveis para investimento nos Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Suécia e Suíça.
Em média, as criptomoedas representam cerca de 10% das carteiras desses investidores. A parcela de entrevistados que possui ativos digitais variou de 54% na Suécia a aproximadamente 70% nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Suíça.
O interesse também pode aumentar. Em cinco dos sete países pesquisados, pelo menos 85% dos investidores que já possuem criptomoedas afirmaram que pretendem ampliar sua exposição em 2026.
Os assessores financeiros, porém, nem sempre acompanham esse movimento. Cerca de quatro em cada dez entrevistados que trabalhavam com um assessor na Suíça, França, Estados Unidos e Alemanha disseram considerar seus profissionais excessivamente cautelosos em relação aos ativos digitais.
Ric Edelman, fundador do Digital Assets Council of Financial Professionals, questionou outro resultado da pesquisa. Segundo ele, sua própria análise indica que alocações atuais de 2% a 5% são mais comuns do que os 10% apontados como média pela CoinShares. Ainda assim, Edelman recomenda exposições de 10% a 40%, dependendo da tolerância ao risco de cada investidor.
OKX amplia rodada de financiamento com avaliação de US$ 25 bilhões
A OKX captou um valor não divulgado em uma extensão de sua rodada de financiamento, mantendo a avaliação da corretora em US$ 25 bilhões. Em março, a empresa havia recebido US$ 200 milhões da Intercontinental Exchange (ICE), operadora da Bolsa de Valores de Nova York.
A nova etapa contou com a participação de parceiros e investidores já existentes, entre eles a SC Ventures, braço de investimentos do Standard Chartered, a Qube Research & Technologies, a Ripple e a Circle, emissora de stablecoins. O valor adicional captado não foi revelado.
A movimentação financeira acompanha a aproximação da OKX com os mercados tradicionais. Na segunda-feira, uma joint venture entre a corretora e a ICE apresentou um pedido à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) para lançar uma plataforma de negociação de ações tokenizadas.
A iniciativa pretende operar sob a nova isenção regulatória de inovação da agência. O lançamento, no entanto, continua condicionado ao pedido e à concessão da isenção aplicável.
Strategy prioriza recompra de ações preferenciais sobre Bitcoin
A Strategy gastou US$ 176,3 milhões na recompra de 1,77 milhão de ações preferenciais STRC na semana passada, mais de seis vezes os US$ 28,7 milhões destinados à compra de 334 bitcoins no mesmo período.
Com isso, as reservas da empresa chegaram a exatamente 848 mil BTC, segundo um documento apresentado à SEC na segunda-feira.
A acumulação de Bitcoin perdeu força. No terceiro trimestre, as reservas cresceram apenas 0,2%, após compras de 7.218 BTC serem parcialmente compensadas pela venda de 5.553 BTC.
Enquanto isso, as ações STRC se recuperaram e voltaram a se aproximar do valor nominal de US$ 100. Os papéis eram negociados a cerca de US$ 99,53, após terem caído para aproximadamente US$ 75 no fim de junho.
A Strategy também solicitou aos acionistas autorização para pagar dividendos diariamente sobre quatro classes de ações preferenciais: STRC, STRF, STRK e STRD. Atualmente, a STRC paga dividendos duas vezes por mês, enquanto as outras três classes seguem pagamentos trimestrais.
A votação está prevista para 28 de outubro. Caso a proposta seja aprovada, os dividendos diários da STRC começariam em novembro, seguidos pelos pagamentos de STRF, STRK e STRD em janeiro.
Segundo a empresa, a mudança não alteraria as taxas de dividendos nem as obrigações totais de pagamento. No entanto, poderia afetar os intervalos para reinvestimento, a liquidez e a estabilidade dos preços dos papéis.
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