A plataforma de negociações Robinhood acaba de lançar uma ferramenta que coloca a automação financeira avançada nas mãos dos investidores comuns. Anunciada durante o evento HOOD Summit, a nova inteligência artificial (IA) da Robinhood promete analisar mercados e executar ordens a qualquer hora do dia.
Diferente de um chatbot tradicional, que apenas responde a perguntas, essa tecnologia age diretamente na conta do usuário. A funcionalidade permite que a inteligência artificial compre e venda ativos com base em limites definidos pelo próprio cliente.
A corretora já havia dado um passo semelhante em maio, permitindo que usuários mais técnicos conectassem seus próprios sistemas. Desde então, mais de 150 mil clientes abriram contas desse tipo, gerando quase 30 milhões de interações diárias com as ferramentas da empresa.
Como funciona a IA da Robinhood e o recurso Loops
Os usuários agora podem configurar a aprovação manual de cada transação ou liberar a execução totalmente automática. Em breve, a empresa lançará uma funcionalidade chamada Loops, que transforma uma estratégia específica em uma instrução contínua.
Com o Loops ativo, a IA verifica as condições do mercado constantemente. O sistema pode executar uma tática de investimento durante a madrugada, enquanto o cliente dorme, repetindo o processo dia e noite sem necessidade de confirmação.
Apesar da inovação e da conveniência, a corretora deixa claro que o cliente assume integralmente os perigos das operações. Em seu comunicado oficial, a empresa destacou que “não controla, supervisiona, monitora, recomenda ou audita os agentes”.
O aviso sobre a responsabilidade do investidor ganha força com a chegada do Loops. Uma vez ativado, o sistema executa as regras configuradas mesmo durante períodos de alta volatilidade, e as negociações feitas de forma autônoma pela máquina não serão revertidas.
O movimento acompanha uma tendência do setor de tecnologia, mas já preocupa autoridades globais. Sarah Breeden, do Banco da Inglaterra, alertou recentemente que agentes autônomos podem amplificar crises e causar colapsos financeiros caso muitos robôs reajam da mesma forma a uma notícia.
Um estudo da Wharton e da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong reforça a preocupação dos reguladores. Pesquisadores notaram que inteligências artificiais em testes conseguiram fixar preços e lucrar de forma coletiva, mesmo sem possuir um canal de comunicação direto entre elas.







