A nova IA da Anthropic, batizada de Mythos, está provocando uma verdadeira mudança de mentalidade no setor de finanças descentralizadas (DeFi). O modelo não apenas identifica falhas isoladas, mas consegue “conectar os pontos” entre pequenas fraquezas para criar ataques devastadores.
Diferente das auditorias tradicionais que focam apenas no código dos contratos inteligentes, a IA da Anthropic mudou o foco para a infraestrutura. Agora, o perigo real está nos bastidores: sistemas de gestão de chaves, oráculos e pontes (bridges) entre redes.
Paul Vijender, da firma de risco Gauntlet, explica que o Mythos simula adversários reais: em vez de procurar um “bug” óbvio, ele estuda como os protocolos interagem para descobrir como uma falha boba em um lugar pode derrubar todo um ecossistema.
Um exemplo recente desse perigo foi a invasão na Vercel, fornecedora de infraestrutura web. O ataque expôs chaves de projetos cripto após uma brecha gerada por uma ferramenta de IA de terceiros, forçando uma troca em massa de credenciais no setor.
A ameaça é tão séria que gigantes como Coinbase e Binance já teriam procurado a Anthropic para testar o modelo. Até bancos tradicionais, como o JP Morgan, estão tratando os riscos gerados por essa tecnologia como uma ameaça sistêmica ao mercado financeiro.
O contra-ataque: IA contra IA na segurança DeFi
Se os hackers agora têm uma ferramenta de elite, os protocolos também estão se armando. O fundador da Aave Labs, Stani Kulechov, afirma que o DeFi já nasceu para operar na velocidade das máquinas, e que a tecnologia apenas intensifica um ambiente que sempre exigiu vigilância.
A estratégia agora é usar a própria inteligência artificial para defesa. A Aave já utiliza modelos avançados para revisões de código e simulações em tempo real, servindo como um braço direito para os auditores humanos que não conseguem acompanhar o ritmo dos algoritmos.
Para Hayden Adams, CEO da Uniswap Labs, o impacto a longo prazo será a divisão do mercado. Com o avanço da IA da Anthropic, projetos que não investirem pesado em segurança contínua ficarão para trás e serão os alvos mais fáceis para os novos exploits.
O recado de Wall Street e do Vale do Silício é claro: a segurança em cripto não é mais um evento único antes do lançamento, mas um processo constante de adaptação contra máquinas que aprendem a atacar cada vez melhor.













